De flop a sucesso inesperado: filme de mil dólares é retirado dos cinemas, mas fatura quase US$ 5 milhões

A obra cinematográfica Niu Lai, fruto do trabalho conjunto entre uma mãe e seu filho com um custo de produção irrisório de cerca de mil dólares, protagonizou uma das reviravoltas mais surpreendentes do mercado audiovisual recente. O título, que chegou a ser banido por exibidores receosos de mancharem suas imagens corporativas, ultrapassou a marca de 4 milhões de dólares em bilheteria no território chinês.

Da catástrofe digital ao fenômeno cult

Concebido por Xin Yumeng e Sun Lifang, o longa apresenta uma trama surrealista centrada em um bezerro batizado de Niu Lai e sua amizade improvável com um leopardo chamado Bao La. Apresentando um design visual e computacional duramente criticado — rotulado por muitos como inferior a produções feitas por inteligência artificial —, a fita estreou sob forte rejeição, atraindo pouco mais de duzentas pessoas no começo e faturando quantias insignificantes.

Contudo, o destino do projeto mudou graças ao ecossistema digital. O filme ganhou enorme repercussão nas redes sociais devido à sua estética peculiar e roteiro atípico, transformando o que seria um fiasco comercial em um verdadeiro evento de memes. Críticos e cinéfilos rapidamente passaram a compará-lo a The Room, clássico americano eternizado justamente por sua extrema falta de refinamento técnico.

Retorno financeiro astronômico e polêmicas

A rentabilidade do projeto desafia a lógica financeira do entretenimento. Para fins de comparação, produções independentes de baixo custo frequentemente precisam de bilheterias faraônicas para se pagarem; no entanto, a criação da Tianjin Yamazaki Film multiplicou o capital investido em mais de quatro mil vezes.

Apesar do sucesso de público nas redes, a exibição enfrentou barreiras severas. Conforme reportado pelo portal Hong Kong 01, redes de cinemas em certos locais decidiram cancelar as sessões de Niu Lai, argumentando que a projeção do longa feria o prestígio comercial das salas. A medida, contudo, serviu apenas para instigar ainda mais a curiosidade popular.

Diante do furacão de comentários mistos, a diretora Xin Yumeng manifestou serenidade. Em nota pública, ela pontuou que todas as avaliações — sejam construtivas ou depreciativas — foram acolhidas com maturidade, reconhecendo as falhas estruturais do projeto e agradecendo pelo aprendizado obtido ao longo da jornada criativa.

Com esse desempenho inesperado, Niu Lai consolida seu nome entre as surpresas da indústria em 2026, figurando ao lado de outras obras de nicho que burlaram as regras tradicionais da distribuição de massa.

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