A loja de aplicativos da Apple presenciou a chegada de aproximadamente 560 mil novos softwares nos primeiros seis meses de 2026, um volume praticamente idêntico ao registrado ao longo de todo o ano de 2025. Conforme informações da Sensor Tower reveladas pelo The New York Times, o salto repentino ocorreu devido à simplicidade trazida pelas ferramentas de inteligência artificial para a produção de programas. Em contrapartida, as instalações por parte dos usuários avançaram apenas 2%, totalizando 17,6 bilhões no intervalo, o que evidencia um descompasso entre a oferta massiva e o interesse real do público.
O dado impressiona porque a quantidade de estreias na plataforma mantinha-se estável desde 2017, tendo registrado cerca de 420 mil lançamentos em 2022. O jornal norte-americano aponta que a popularização do vibe coding foi o principal motor dessa expansão recente.
Uma das histórias destacadas pela publicação é a de Marco Pérez, um programador residente em Chicago que jamais havia criado um software móvel. Utilizando recursos de IA, ele estruturou o protótipo do InfoDrizzle em cinco semanas e posteriormente publicou o Stampa, um aplicativo voltado para o estilo scrapbooking que alcançou perto de 20 mil downloads e faturou cerca de US$ 3 mil líquidos.

A facilidade para criar aplicativos com inteligência artificial impulsionou uma explosão de lançamentos na App Store em 2026. (Divulgação/Apple)
Pérez revelou à imprensa que planeja abandonar seu cargo no JPMorgan Chase para se dedicar integralmente à criação de softwares impulsionada por inteligência artificial. Outro exemplo é o do desenvolvedor amador sueco David Svensson, que colocou no ar 11 programas diferentes em um intervalo de cinco meses adotando a mesma metodologia.
O impacto para a Apple e os desafios de moderação
A companhia da maçã retém faturamentos que variam de 15% a 30% sobre transações realizadas dentro dos programas. Contudo, visto que o volume de instalações não acompanhou a explosão de novas criações, a empresa agora lida com o fardo de examinar uma quantidade massiva de softwares sem ver um retorno financeiro equivalente. De acordo com o especialista em publicidade mobile Eric Seufert, ouvido pelo veículo, a corporação “não sai ganhando” com essa enxurrada de utilitários descartáveis.
O forte fluxo de submissões também gerou complicações operacionais. Criadores de conteúdo têm reclamado em espaços de discussão online sobre a lentidão no processo de avaliação, com prazos de espera que chegam a se estender por semanas.
Em manifestação enviada ao The New York Times, o porta-voz corporativo Peter Ajemian defendeu que a empresa ainda consegue examinar cerca de 90% dos envios no prazo de até 48 horas, reforçando que todas as obras, independentemente do uso de IA em sua construção, submetem-se aos mesmos parâmetros rigorosos de privacidade, segurança e excelência.
Em contrapartida, o antigo diretor da App Store, Phillip Shoemaker, demonstrou preocupação ao sinalizar que a facilidade na publicação pode abrir brechas para um acúmulo de materiais de baixa utilidade e abrir caminho para agentes mal-intencionados.





