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O conflito tecnológico: a incompatibilidade entre rádios AM e veículos elétricos

FOTO: ANGELSSLOPPYPHOTOS/UNSPLASH

O rádio AM, tecnologia que marcou gerações de condutores, vive um impasse sobre sua permanência nos automóveis modernos, especificamente nos Estados Unidos. Legisladores norte-americanos estão empenhados em uma intensa mobilização política para exigir que todos os modelos produzidos — incluindo os eletrificados — mantenham o receptor AM instalado de fábrica.

A base dessa pressão parlamentar é a lei denominada “AM Radio for Every Vehicle Act de 2025”, que sustenta ser o rádio AM um mecanismo indispensável para a difusão de comunicados em momentos de calamidade pública ou emergências severas.

Em contrapartida, as montadoras apresentam uma visão distinta. O sistema de Amplitude Modulada, que remonta aos anos 1920 e foi um padrão de baixo custo na época, hoje divide espaço com meios mais sofisticados, como o FM, a comunicação via satélite e a internet. Para o setor automotivo, o uso do AM como canal de alertas governamentais é residual, atingindo atualmente uma parcela ínfima da população.

É difícil que o rádio AM volte aos carros elétricos (why kei/Unsplash)

O desafio técnico da eletrificação

A questão ganhou contornos de urgência ao ser integrada à pauta de infraestrutura Build America 250, com votação prevista para o fim de setembro. Embora os políticos defendam a importância estratégica do AM na segurança local, a indústria automobilística rebate utilizando dados técnicos e econômicos.

O impedimento técnico é central: a engenharia dos veículos elétricos (EVs) baseia-se em sistemas de alta voltagem que produzem fortes interferências eletromagnéticas. Segundo a Alliance for Automotive Innovation, esse ruído gerado pelo próprio funcionamento do veículo é capaz de anular a recepção de sinais AM, tornando a escuta praticamente impossível.

Atualmente, não existe solução de engenharia eficiente para isolar essa interferência nos carros movidos a bateria. Além do obstáculo técnico, há o fator financeiro: a obrigatoriedade de instalar o sistema em todos os veículos acarretaria um prejuízo estimado em US$ 3,8 bilhões ao setor ao longo dos próximos sete anos.

Para o consumidor final, isso se traduz em um encarecimento direto. Estima-se que os ajustes necessários para tentar mitigar a interferência do motor elétrico nos receptores AM elevariam o preço de venda de cada unidade em até US$ 360, o que equivale a aproximadamente R$ 1.900 na conversão atual.

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