O PS2 garantiu o título de console mais vendido da história, mas será que o GameCube foi um fiasco total em comparação ao oponente da Sony? Ou o peso de seu catálogo de jogos conseguia bater de frente com a plataforma rival?
De um lado, a Sony brilhava com títulos do calibre de God of War, Kingdom Hearts e Final Fantasy XII. Do outro, a Nintendo respondia com grandes sucessos como Super Smash Bros. Melee, The Legend of Zelda: Wind Waker e Metroid Prime. Trata-se de obras memoráveis que definiram o ápice daquela geração.
Para avaliar qual sistema colocou no mercado a seleção de exclusivos mais poderosa, o Canaltech preparou um confronto de peso: afinal, qual videogame entregou a melhor biblioteca? PS2 ou GameCube? Acompanhe o veredito detalhado a seguir.
O domínio absoluto do PS2

O PS2 era um colosso e foi o console mais vendido de todos os tempos com 160 milhões de unidades (Imagem: Divulgação/Sony)
No ano 2000, quando o PlayStation 2 chegou ao mercado, a Sony já ditava as regras da indústria de jogos eletrônicos. Impulsionada pelo enorme sucesso de seu primeiro console, a empresa dobrou a aposta, investindo em produções de escala muito maior e focadas em ação intensa.
Enquanto seus estúdios internos surpreendiam o público com joias como ICO, Shadow of the Colossus e God of War, as produtoras parceiras não ficaram atrás: a Capcom entregou Devil May Cry, a Square Enix reservou os episódios principais da saga Final Fantasy como exclusivos e a Konami levou a franquia Silent Hill a um novo patamar no aparelho.
Na prática, o PS2 se transformou em um fenômeno comercial incontestável. Ele se tornou o objeto de desejo de crianças e adolescentes da época, ofuscando marcas já estabelecidas nos concorrentes. A habilidade de mesclar o retorno de consagradas franquias com conceitos inéditos cativou imensamente a comunidade de jogadores.
Não se tratava meramente de viver do passado ou preservar tradições — postura que muitos associavam à Nintendo —, mas sim de ditar a “inovação”. Ao mesmo tempo em que trazia de volta nomes de peso como MGS e Silent Hill, o console servia de berço para novos ícones como Kratos, Dante e Sora, que moldaram uma nova base de fãs.
A Sony ainda consolidou sua liderança por meio de parcerias de mercado agressivas, oferecendo recursos de ponta e uma grande novidade que fascinava o público: as partidas online. Assim como nos computadores, já era viável se reunir na rede com amigos para jogar títulos como Dirge of Cerberus: Final Fantasy VII.
Somado a isso, houve uma explosão de periféricos que se tornaram febre mundial. Nenhum outro videogame daquela era permitia plugar uma réplica de guitarra para tocar as faixas de Guitar Hero. A proposta ia muito além de simplesmente ligar o aparelho e iniciar uma aventura; tratava-se de uma experiência de entretenimento expandida, o que virou seu principal trunfo.
Isso tudo sem contar as excelentes adaptações e jogos multiplataforma que rodavam muito bem ali, como Battle Stadium D.O.N., The Godfather: The Game, Spider-Man 2 e o estrondoso GTA: San Andreas. Independentemente do gosto do jogador, o PS2 tinha a resposta ideal.

O videogame que tinha GTA: San Andreas tinha um peso a ser considerado (Imagem: Divulgação/Rockstar)
GameCube: A grife dos clássicos atemporais
Na outra ponta, o Nintendo GameCube funcionava como uma vitrine de alto padrão para as propriedades intelectuais da Big N. O público ainda tinha à disposição franquias como Mario, Pokémon e Metroid, porém repaginadas de uma forma jamais vista na indústria.
Super Mario Sunshine, por exemplo, inseriu mecânicas totalmente inovadoras na rotina do famoso encanador. Pokémon XD: Gale of Darkness quebrou barreiras ao se tornar o primeiro RPG da franquia principal projetado para consoles de mesa. Já Metroid Prime ousou ao transportar a jornada de Samus Aran para a perspectiva dos jogos de tiro em primeira pessoa (FPS).
Fire Emblem: Path of Radiance expandiu as fronteiras do RPG estratégico, fixando-se como a experiência definitiva do gênero na sua época. E Super Smash Bros. Melee alcançou uma popularidade gigantesca, antecipando as bases do que conhecemos como esportes eletrônicos muito antes de o termo virar uma tendência global.
Paralelamente, o cubo roxo colecionava outras pérolas marcantes. Embora não tenha alcançado o volume de vendas do adversário, vale lembrar que Resident Evil 4 foi concebido originalmente como um exclusivo da Nintendo. É impossível desconsiderar o impacto de uma das maiores obras-primas já criadas pela Capcom.
Além do mais, as reedições modernas de Resident Evil e Metal Gear Solid que são aclamadas hoje tiveram como base as versões exclusivas desenvolvidas para o GameCube. O console também foi o ponto de partida de propriedades intelectuais inéditas e de sucesso, como Pikmin, Luigi’s Mansion — que deu o merecido protagonismo ao irmão de Mario — e Animal Crossing.
Apesar disso, o mercado não foi inteiramente favorável ao console cúbico da Nintendo. Pela falta de um apelo comercial massivo, muitas empresas de terceiros abandonaram o projeto no meio do caminho para buscar lucros em outras praias. A própria Capcom, que havia prometido exclusividade total para RE4, Killer7 e Viewtiful Joe, acabou portando esses jogos para a concorrência mais tarde.
O fraco desempenho nas lojas também pesou contra o aparelho, que superou em vendas apenas o Dreamcast — o aparelho que culminou na saída da SEGA do mercado de hardware. A situação da Nintendo só se estabilizou de fato com a chegada posterior do Wii.
O veredito do confronto de gigantes
Ainda que o GameCube tenha sofrido com baixas vendas e menor suporte da indústria, o valor de suas franquias exclusivas consegue sustentar o legado do console com facilidade. Seria injusto dizer que sua biblioteca decepciona, dado o número de títulos que se tornaram referências históricas.
No entanto, o PS2 leva a melhor nesta disputa. O videogame da Sony conseguiu construir um império sem depender de mascotes tradicionais, contando apenas com a inventividade de seus desenvolvedores parceiros e um apoio massivo das softhouses do mercado. Nenhuma outra geração testemunhou um acervo de jogos tão vasto e impactante — uma marca que nem mesmo o PlayStation 4 conseguiu ultrapassar completamente.

O PS4 foi o que mais chegou perto do PS2, mas ainda assim ambos têm um abismo de distância (Imagem: Divulgação/Sony)
Para um ecossistema que não contava com o peso de nomes como Mario, Zelda ou Pokémon, o PS2 sobressaiu de forma espetacular. O feito ganha ainda mais relevância quando lembramos que ele não duelava apenas com a Nintendo, mas também enfrentava o fenômeno Halo no Xbox e a presença de Sonic no Dreamcast.
Isso não apaga o brilho das excelentes ideias e jogos que o GameCube entregou. Contudo, o PlayStation 2 executou sua estratégia de forma muito mais abrangente e inclusiva: de títulos focados no público infantil a produções maduras para adultos e famílias, o sistema da Sony tinha um produto de altíssima qualidade para cada perfil de jogador.





