Swatch cobra R$ 900 milhões da Samsung em processo por uso indevido de marca

FOTO: REUTERS/ALICE SACCO

A fabricante suíça Swatch está pleiteando uma indenização de US$ 170 milhões contra a Samsung, no que aponta ser o maior litígio de violação de marca registrada dessa categoria no Reino Unido. De acordo com os autos do processo, a acusação é de que o grupo sul-coreano de eletrônicos permitiu a disponibilização de réplicas digitais dos mostradores da Swatch em seus smartwatches.

A decisão judicial sobre a compensação financeira deve sair em breve, após o encerramento do julgamento na última sexta-feira. Isso ocorre depois que a Alta Corte de Londres considerou a Samsung culpada, em 2022, por violação de propriedade industrial devido a aplicativos de terceiros distribuídos em sua plataforma.

Esses softwares permitiam que os consumidores copiassem modelos famosos de marcas do Grupo Swatch, o que engloba grifes de alto padrão como Omega e Tissot. O embate jurídico, iniciado em 2019 (antes da consolidação do Brexit), também abrange as supostas infrações cometidas no território da União Europeia. Ademais, o veredito iminente pode abrir precedentes para que a Swatch mova uma ação semelhante contra a filial da Samsung em solo americano.

Um documento de 19 de junho enviado pelos advogados da Swatch, ao qual a Reuters teve acesso, esclarece que a quantia de US$ 170 milhões foi calculada com base em taxas hipotéticas de licenciamento para 10 marcas da empresa, refletindo o “prestígio, a fama e o poder de atração” de seu portfólio.

A Samsung não se pronunciou de imediato quando procurada. Contudo, em uma contestação distinta mencionada pelo Financial Times — veículo que divulgou o julgamento em primeira mão —, a companhia asiática classificou as exigências da Swatch como “desproporcionais” e absurdas.

A Defesa da Exclusividade

O setor de relojoaria da Suíça tem enfrentado uma forte concorrência com o avanço acelerado do mercado de relógios inteligentes, dominado por gigantes como Samsung, Apple e Huawei. No documento obtido pela Reuters, o CEO da Tissot, Sylvain Dolla, afirmou que a marca optou conscientemente por ficar de fora do segmento de smartwatches, mesmo após ser sondada por grandes corporações de tecnologia.

“Disponibilizar nossos designs sob licença destruiria o valor construído pelas marcas do Grupo Swatch, caso permitíssemos o uso em smartwatches, que são bens de consumo comuns”, declarou Dolla em uma manifestação judicial anterior, em 2025.

As manufaturas suíças gerenciam rigidamente a sua produção para manter a escassez dos produtos, o que sustenta os preços elevados e protege o status das marcas. A Swatch, que possui desde relógios acessíveis de plástico a peças de luxo de milhares de dólares, comercializa dispositivos com conectividade (como o SwatchPAY!), mas nunca desenvolveu um smartwatch completo.

“Isso arruinaria o valor do autêntico relógio suíço: ele perderia sua exclusividade”, concluiu Dolla no depoimento de junho.

WhatsApp