Funcionários da Hyundai votam a favor de greve por causa de robôs humanoides em fábrica

Os operários da Hyundai em solo sul-coreano deram aval para o início de uma greve motivada pela introdução de robôs humanoides no processo de fabricação. A mobilização ganhou força logo após a principal fabricante de veículos do país divulgar suas intenções de modernizar as linhas de montagem com ferramentas de última geração.

Aproximadamente 87% dos membros da organização sindical apoiaram a interrupção das atividades. A categoria reivindica o direito de participar ativamente das escolhas ligadas à automação industrial. O descontentamento aumentou consideravelmente devido à proposta de integrar o robô Atlas — projetado pela Boston Dynamics — às instalações da empresa.

Os líderes sindicais estabeleceram uma posição rígida no começo do ano. Foi determinado por eles que nenhum equipamento tecnológico de ponta passará a operar nos setores de produção sem que haja um consenso formalizado entre a empresa e os trabalhadores.

Receio com o mercado de trabalho e integridade física

Este protesto surge em um cenário onde concorrentes do setor automotivo implementam estratégias parecidas. A BMW, por exemplo, já emprega robôs com características humanas no continente europeu, após concluir fases de experimentação em território alemão. No caso da Hyundai, os colaboradores manifestam forte inquietação quanto à preservação de seus empregos e aos riscos de acidentes, dado o dinamismo e a agilidade crescentes dessas máquinas.

A pauta de reivindicações, contudo, vai além do combate à robotização excessiva. Os funcionários pleiteiam compensações financeiras, incluindo uma bonificação atrelada a 30% do ganho líquido da companhia — o que equivale a aproximadamente US$ 27.150 por indivíduo. Somado a isso, exigem correções nos salários e a extensão do limite de idade para aposentadoria, fixando-o em 65 anos.

Trabalhadores da Hyundai protestam contra a implementação de robôs em fábricas (Imagem: Reprodução/Bloomberg)

As metas ousadas da fabricante

Os atritos entre o corpo diretivo e a força de trabalho são recorrentes na trajetória da montadora, embora os confrontos mais severos tenham sido registrados pela última vez em 2018. Atualmente, os resultados financeiros da marca enfrentam o desgaste gerado por taxas alfandegárias globais e pela retração no mercado de automóveis movidos a eletricidade. O ganho líquido da empresa apresentou uma retração de 23,6% nos primeiros três meses do ano, fechando em US$ 1,68 bilhão.

Mesmo enfrentando a oposição interna, os executivos dão continuidade a projetos arrojados na área de robótica para rivalizar diretamente com a Tesla. O objetivo em escala mundial prevê a montagem de 30 mil exemplares do modelo Atlas por ano. O planejamento aponta para o envio dessas unidades a uma planta focada em carros elétricos localizada em território norte-americano até o ano de 2028.

A cúpula da Hyundai argumenta que os androides ficarão restritos a funções exaustivas, monótonas ou que ofereçam riscos à saúde humana. Em contrapartida, a representação trabalhista rebate esse posicionamento, sinalizando para os perigos de demissões em massa e transformações negativas na estrutura de cargos.

Vale destacar que o avanço tecnológico voltado ao ambiente corporativo não se restringe aos complexos industriais da BMW e da Hyundai. Seguindo essa tendência, a BYD também direciona investimentos para o segmento de robôs humanoides, visando sua comercialização por meio de suas próprias lojas autorizadas.

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