No dia 22 de junho, a SpaceX e a Reflection AI selaram um contrato de US$ 6,3 bilhões focado em poder computacional. O pacto garante à startup o uso da infraestrutura de processamento no centro de dados Colossus 2, pertencente à empresa aeroespacial.
“Uma capacidade computacional ampliada nos dá mais margem para expandir os limites dos modelos de código aberto”, declarou a Reflection AI em uma publicação no LinkedIn.
A companhia comandada por Elon Musk embolsará parcelas mensais de US$ 150 milhões entre 1º de julho de 2026 e o encerramento de 2029. Em contrapartida, a Reflection AI usará superchips Nvidia GB300 — componentes de ponta voltados para o desenvolvimento e execução de inteligências artificiais avançadas —, além de toda a infraestrutura de hardware correlata.
Após o trimestre inicial de vigência, qualquer uma das partes poderá rescindir o vínculo mediante um aviso prévio de 90 dias.
A Aquisição da Cursor por US$ 60 Bilhões
Pouco antes, em 16 de junho, um documento regulatório da SpaceX revelou a compra da Cursor, outra empresa do setor de IA, em uma transação avaliada em US$ 60 bilhões paga inteiramente em ações.
“Ao longo dos últimos meses, a divisão SpaceXAI trabalhou em conjunto com a Cursor no treinamento de um modelo que será disponibilizado em breve nas plataformas Cursor e Grok Build”, anunciou a SpaceX através do X na mesma data. “Estamos entusiasmados em colaborar diretamente com o time da Cursor para impulsionar nossas tecnologias de IA de fronteira.”
A SpaceXAI nasceu a partir da incorporação da xAI, antiga startup de Musk que foi fundida à gigante aeroespacial em fevereiro. Sediada em São Francisco e criada em 2022, a Cursor foca no desenvolvimento de softwares auxiliados por inteligência artificial, com ênfase na automação de linhas de código.
A SpaceX assegurou que o montante para a compra da Cursor não provém dos recursos captados em sua abertura de capital (IPO) ocorrida em 12 de junho. A expectativa é que a transação seja concluída no terceiro trimestre de 2026.
Panorama de Mercado e Desempenho das Ações
Desde sua histórica estreia na bolsa, a SpaceX ascendeu ao posto de uma das corporações mais valiosas do planeta, superando a marca de US$ 2 trilhões em valor de mercado. Essa valorização meteórica das ações transformou Elon Musk no primeiro trilionário do mundo.
O preço de lançamento dos papéis foi fixado em US$ 135, estreando no pregão a US$ 150. Em 16 de junho, a empresa chegou a ultrapassar brevemente a Amazon, assumindo a quinta posição global ao atingir a máxima intradia de US$ 225.
Contudo, os ativos recuaram para a faixa dos US$ 154 — a menor cotação de fechamento desde a abertura de capital —, amargando três pregões seguidos de perdas, o que incluiu um tombo superior a 16% apenas na segunda-feira.
Em 11 de agosto, termina o primeiro prazo de carência (lockup), liberando os primeiros acionistas internos para negociar suas fatias. Outras janelas de restrição expiram nos meses seguintes, com o encerramento final previsto para 9 de dezembro. Já o bloco de ações pertencente a Musk só poderá ser comercializado a partir de 13 de junho de 2027, exatamente um ano após o IPO.
Por fim, no dia 22 de junho, a companhia submeteu à Securities and Exchange Commission (SEC) um registro para sua primeira emissão de títulos de dívida sênior não garantidos, embora o volume financeiro que pretendem captar não tenha sido detalhado.





