Nesta quarta-feira (3), o Google anunciou o lançamento de uma ferramenta desenvolvida para dar maior autonomia aos proprietários de sites sobre a exibição de seus conteúdos em buscas geradas por inteligência artificial. Com a novidade, os domínios poderão optar por ficar de fora de recursos como AI Overviews, AI Mode e outras plataformas de pesquisa baseadas em IA.
Por enquanto, o mecanismo está em fase experimental e restrito a um grupo selecionado de sites no Reino Unido.
De acordo com a gigante de tecnologia, as páginas que escolherem a exclusão não serão utilizadas para compor as respostas dos sistemas inteligentes. No entanto, a empresa garantiu que essa escolha não prejudicará o ranqueamento dos sites nos resultados orgânicos da busca tradicional.
“Os sites que optarem por não participar não receberão tráfego ou impressões de nossos recursos de IA generativa. Esse controle não será usado como um fator de classificação para resultados de pesquisa fora desses recursos de Busca com IA generativa”, esclareceu a companhia.
Resposta à pressão dos órgãos reguladores
A iniciativa do Google é uma resposta direta ao cerco regulatório que a empresa enfrenta, sobretudo em território britânico.
A Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) do Reino Unido exigiu que a plataforma oferecesse opções para que os criadores de conteúdo decidissem se queriam ou não alimentar os sistemas de IA. O objetivo do órgão regulador é dar mais poder de barganha a editoras e veículos de imprensa perante a big tech.
Essa demanda já vinha sendo desenhada desde janeiro, quando o governo britânico sinalizou a necessidade de equilibrar o jogo para organizações jornalísticas e criadores. Em março, o Google confirmou que estava desenvolvendo soluções para permitir esse veto à IA generativa.
A mudança chega em um momento de forte expansão das ferramentas inteligentes da empresa:
- O AI Overviews já registra mais de 2,5 bilhões de usuários ativos por mês;
- O AI Mode, lançado recentemente, já supera 1 bilhão de usuários mensais.
Apesar das críticas, o Google defende que esses recursos transformaram a dinâmica de pesquisa e abriram portas para marcas e editores. A empresa também ressaltou que tem feito ajustes para direcionar o público aos sites originais, como aumentar o volume de links nas respostas de IA, exibir prévias de páginas e dar destaque a fontes preferidas pelos usuários.
Novidades e métricas no Search Console
Acompanhando o mecanismo de exclusão, o Google atualizou o Search Console — plataforma que funciona como um raio-X de como o buscador enxerga um site, ajudando no monitoramento de performance.
A partir de agora, os administradores de sites terão acesso a relatórios específicos sobre o desempenho de suas páginas nas buscas com IA. O painel vai exibir dados de impressões, quais conteúdos foram usados para gerar respostas automatizadas e as regiões geográficas onde essas exibições ocorreram. O Google promete ampliar esses dados progressivamente.
O embate entre criadores e plataformas de IA
O movimento do Google toca em uma ferida aberta no mercado digital. Veículos de mídia e produtores de conteúdo temem que o fornecimento de respostas prontas diretamente na tela de busca desestimule os usuários a clicarem nos links originais, despencando o tráfego dos sites.
O temor ganhou ainda mais força após o evento Google I/O 2026, onde a companhia demonstrou buscas capazes de interpretar simultaneamente textos, vídeos, imagens, documentos e abas do navegador. Essa evolução acendeu o debate sobre a sobrevivência do modelo clássico de navegação na internet estruturado em links externos.





