Diante do crescente impacto da inteligência artificial sobre os recursos hídricos, o Google busca se antecipar a uma crise maior. A gigante de tecnologia anunciou novas metas ambientais voltadas para mitigar a pegada ecológica de seus data centers.
De acordo com o portal The Verge, o principal compromisso da companhia é regenerar mais água do que o volume total consumido por suas operações até 2030. A medida surge em um momento de forte resistência popular à expansão dessas estruturas nos Estados Unidos.

Cresce a pressão sobre big techs para tornar mais transparente o consumo de água e energia em estruturas que sustentam a inteligência artificial. Imagem: eric1207cvb/Shutterstock
O desafio da refrigeração e as promessas da empresa
Os servidores que sustentam os sistemas de IA demandam volumes massivos de água para resfriamento. Com o boom da IA generativa, essa necessidade acendeu um alerta entre especialistas ambientais e populações locais.
Para responder a essas preocupações, o Google listou cinco compromissos institucionais em seu blog oficial. O plano envolve aportes financeiros em infraestrutura hídrica, a transição para fontes alternativas de abastecimento e uma postura de maior transparência sobre os gastos hídricos de cada planta.
“Achamos muito importante colocar um modelo que as comunidades possam consultar, para que, se alguém chegar e disser ‘gostaríamos de construir um data center aqui’ [as pessoas tenham informações]”, afirmou Ben Townsend, diretor global de infraestrutura e sustentabilidade do Google, ao The Verge.
Segundo o executivo, o objetivo é munir os moradores locais com dados para que possam cobrar as empresas sobre a preservação da água antes mesmo que novos complexos sejam erguidos.

Empresa promete investir em infraestrutura hídrica e tecnologias de reuso de água para diminuir o impacto ambiental de suas operações. Imagem: Novikov Aleksey / Shutterstock.com
A rejeição popular aos complexos de IA
A estratégia do Google tenta blindar a empresa em um cenário de forte oposição. O ritmo acelerado de expansão da infraestrutura de IA tem sido alvo de duras críticas devido ao gasto energético e hídrico.
Uma sondagem recente feita pelo instituto Gallup apontou que mais de 70% dos cidadãos americanos rejeitam a instalação de data centers em suas comunidades. Os principais argumentos para essa oposição incluem:
- Impactos negativos ao meio ambiente;
- Gasto hídrico desmedido;
- Sobrecarga dos recursos naturais;
- Encarecimento das tarifas de energia;
- Prejuízos à infraestrutura local.
Mesmo com os impasses, os investimentos continuam robustos: a Alphabet (controladora do Google) revelou planos de captar US$ 80 bilhões (aproximadamente R$ 400 bilhões) para expandir sua infraestrutura focada em inteligência artificial.
Foco em eficiência e reaproveitamento
Como parte de sua defesa, o Google argumenta que já mitiga o impacto ambiental de suas instalações investindo em matrizes renováveis e fiscalizando o consumo indireto de água ao longo de sua cadeia produtiva.
A corporação destinou US$ 17 milhões (cerca de R$ 85 milhões) para iniciativas de gerenciamento de água nos EUA e planeja intensificar o reaproveitamento de águas residuais. A empresa defende que o resfriamento líquido economiza por volta de 10% da energia que seria gasta pelos data centers e reforça o compromisso de atingir o saldo positivo de água nos próximos quatro anos.

Empresa promete investir em infraestrutura hídrica e tecnologias de reuso de água para diminuir o impacto ambiental de suas operações. Imagem: Jhampier Giron M – Shutterstock / Montagem: Olhar Digital





