Casal Zuckerberg aposta em IA para acelerar a criação de novos remédios

A Biohub, organização filantrópica liderada por Mark Zuckerberg e Priscilla Chan, revelou nesta quarta-feira (27) um modelo inédito de inteligência artificial voltado para acelerar o desenvolvimento de remédios. O foco do sistema é aprimorar o estudo da biologia de proteínas para dar suporte aos cientistas.

Desenvolvido a partir da quarta geração do sistema de modelagem em escala evolutiva (ESM), esse “modelo de mundo” utilizou dados de sequências proteicas moldadas pela evolução natural em seu treinamento. A meta é decifrar padrões biológicos complexos, permitindo uma compreensão profunda do comportamento das proteínas para fins terapêuticos.

Foco em Câncer e Doenças Autoimunes

A tecnologia criada pela Biohub é baseada em modelos de IA de código aberto, o que possibilita que cientistas do mundo todo colaborem para aperfeiçoar o design das proteínas. Inclusive, os primeiros testes laboratoriais já indicam avanços práticos:

  • Reativação imunológica: Cientistas da instituição usaram a ferramenta para projetar novos ligantes de proteínas capazes de reativar células de defesa do organismo.
  • Novas terapias: Segundo a instituição, esse avanço pode abrir caminhos para tratamentos inéditos contra o câncer e distúrbios imunológicos.
  • Validação científica: Priscilla Chan destacou que especialistas validaram os resultados, comprovando a eficácia da IA nas previsões sobre essas patologias.

“É muito promissor. Esperamos que, assim que esses modelos forem divulgados, outros os adotem rapidamente para lidar com alguns dos problemas que observam em laboratório”, declarou Chan em entrevista à Reuters.

Ampliando o Acesso à Tecnologia

Para expandir o alcance da ferramenta, a Biohub está fechando parcerias com plataformas de análise biológica, garantindo que o sistema seja integrado a serviços como o AWS Bio Discovery e a SandboxAQ.

Além disso, haverá uma alternativa direta. “Temos a plataforma biohub.ai, que permite que as pessoas usem os modelos em nossos servidores. Forneceremos créditos de computação para esse fim aos pesquisadores”, explicou Alex Rives, chefe de ciência da organização.

A Missão de Erradicar Doenças e Polêmicas Recentes

Criada em 2015, a Iniciativa Chan-Zuckerberg consolidou a Biohub como seu braço de pesquisa biomédica em novembro do ano passado, período em que também comprou a startup EvolutionaryScale, especializada em IA aplicada à biologia.

Com o ambicioso objetivo de “curar ou prevenir todas as doenças”, a fundação promete entregar uma infraestrutura de engenharia de IA e capacidade computacional sem precedentes para decodificar processos biológicos globalmente.

Apesar do impacto positivo na área da saúde, o casal Zuckerberg enfrentou críticas no ano passado após a fundação interromper as verbas de um projeto voltado para a educação.

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