A SpaceX, consolidada como líder no setor aeroespacial, está desenhando uma nova e ambiciosa estratégia: tornar-se uma gigante da Inteligência Artificial (IA) corporativa. Documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e divulgados pela Reuters nesta quinta-feira (23) revelam que a empresa de Elon Musk vê na tecnologia uma oportunidade financeira superior à própria exploração espacial.
A Cifrão de US$ 28 Trilhões
A companhia estima que seu mercado potencial (TAM) pode atingir a marca astronômica de US$ 28,5 trilhões. No entanto, a chave para destravar esse valor não está nos foguetes, mas nos bits:
- Foco Empresarial: Cerca de 90% desse faturamento (US$ 22,7 trilhões) viria de soluções de IA para grandes indústrias.
- Investimento Massivo: Em 2025, a SpaceX destinou US$ 12,7 bilhões para sua unidade de IA — valor que supera, somados, os gastos com lançamentos espaciais e a rede Starlink (US$ 8 bilhões).
Chips Próprios e Fusão com a xAI
Para garantir que a estratégia não sofra com a escassez de semicondutores, a SpaceX confirmou que irá fabricar seus próprios chips de IA. Além disso, a empresa recentemente fundiu-se à xAI, outra startup de Musk, criando um ecossistema robusto para enfrentar gigantes do setor digital.
Desafios Financeiros e o Domínio da Starlink
Apesar do otimismo com o futuro, os números atuais mostram que a transição ainda é custosa:
- Receita Atual: No último ano, a SpaceX faturou US$ 18,7 bilhões, com a Starlink sendo a principal força motriz, gerando US$ 11,4 bilhões.
- Prejuízo na IA: A divisão de inteligência artificial registrou um prejuízo operacional de US$ 6,4 bilhões, o que levanta questionamentos de investidores sobre o tempo necessário para que a nova unidade se torne lucrativa.
Rumo ao Maior IPO da História
Toda essa movimentação serve de palco para a abertura de capital (IPO) da empresa. A SpaceX planeja captar US$ 75 bilhões, o que seria a maior oferta pública inicial já registrada. Se bem-sucedida, a avaliação de mercado da companhia pode saltar para US$ 1,75 trilhão, consolidando-a como uma das empresas mais valiosas do planeta — e, agora, também do setor de tecnologia da informação.





