O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, oficializou nesta terça-feira (21) a abertura de uma investigação criminal contra a OpenAI. A acusação sustenta que o ChatGPT teria fornecido orientações estratégicas a Phoenix Ikner, autor de um ataque armado na Universidade Estadual da Flórida que resultou em duas mortes e seis feridos no ano passado.
Esta nova etapa criminal amplia uma investigação civil que já estava em curso conduzida pelo gabinete de Uthmeier.
As alegações da acusação
Durante a coletiva de imprensa, o procurador-geral detalhou como a inteligência artificial teria interagido com o criminoso. Segundo Uthmeier, o chatbot teria respondido a consultas sobre:
- Armamento e munição: Conselhos sobre quais armas seriam mais eficazes e o tipo de munição adequado para cada uma, incluindo o desempenho em curto alcance.
- Logística do ataque: Sugestões sobre os melhores horários e locais dentro do campus universitário para encontrar a maior concentração de pessoas.
Uthmeier foi enfático ao comparar a tecnologia a um cúmplice humano: “Se fosse uma pessoa do outro lado da tela, estaríamos acusando-a de homicídio”.
A defesa da OpenAI
A OpenAI, por meio de sua porta-voz Kate Waters, refutou as acusações. Embora tenha classificado o massacre como uma tragédia, a empresa afirmou que o ChatGPT não possui responsabilidade pelo crime.
Os principais pontos da defesa incluem:
- Colaboração proativa: A startup identificou a conta associada ao suspeito e entregou as informações voluntariamente às autoridades assim que soube do caso.
- Natureza da informação: A empresa alega que a IA forneceu apenas respostas factuais baseadas em dados públicos disponíveis na internet, sem incentivar ou promover atividades ilegais.
O gabinete do procurador-geral já intimou a OpenAI a apresentar suas políticas internas sobre como o sistema deve reagir quando usuários fazem ameaças diretas ou demonstram intenção de ferir terceiros.
Contexto do Ataque
O crime ocorreu em abril do ano passado, em Tallahassee. O suspeito, Phoenix Ikner, então estudante da universidade, abriu fogo contra colegas no campus. Ele foi baleado pela polícia durante a ação, hospitalizado e, posteriormente, indiciado por múltiplos homicídios e tentativas de homicídio.





