Uma coalizão composta por mais de 70 organizações não governamentais enviou uma carta aberta a Mark Zuckerberg, CEO da Meta, exigindo que a empresa desista de implementar ferramentas de reconhecimento facial em seus dispositivos vestíveis. O foco da polêmica é o recurso conhecido internamente como “Name Tag”, que estaria em testes para as linhas de óculos inteligentes produzidas em parceria com a EssilorLuxottica (marcas Ray-Ban e Oakley).
O movimento reúne grupos de defesa dos direitos humanos, associações LGBTQ+, sindicatos e entidades de proteção a imigrantes e vítimas de violência doméstica. Até agora, nem a Meta nem a fabricante dos óculos se manifestaram sobre o documento.
A polêmica do recurso “Name Tag”
O pedido de cancelamento fundamenta-se em denúncias publicadas no início de 2026 pelo The New York Times. Documentos vazados sugerem que a Meta planejava lançar a ferramenta aproveitando um momento de instabilidade política nos EUA, apostando que as organizações civis estariam ocupadas com outras pautas.
A carta das ONGs critica duramente essa estratégia, acusando a big tech de:
- Explorar o cenário político: Tirar vantagem de um ambiente de “autoritarismo crescente” para validar tecnologias invasivas.
- Insuficiência de soluções técnicas: O grupo afirma que os riscos de espionagem não podem ser mitigados apenas com luzes de aviso ou opções de opt-out.
- Risco de identificação em tempo real: A função permitiria que a IA do aparelho cruzasse imagens com dados públicos, expondo a identidade, hábitos e localização de qualquer pessoa na rua.
“As pessoas deveriam poder seguir suas rotinas sem o medo de serem silenciosamente identificadas por perseguidores, golpistas ou agentes governamentais”, destaca o manifesto do grupo.
Histórico de uso indevido e preocupações com privacidade
A preocupação das entidades não é hipotética. O texto cita incidentes reais e recentes que aumentam a pressão sobre a Meta:
- Modificações não oficiais: Estudantes universitários já demonstraram ser possível alterar o software dos óculos para identificar pedestres.
- Assédio e abusos: Há registros de uso dos aparelhos para gravações não autorizadas em locais privados, como casas de massagem.
- Vazamento de dados íntimos: Uma denúncia recente alega que vídeos capturados pelos óculos foram acessados por moderadores humanos para treinar a inteligência artificial da empresa.
- Casos no Brasil: O uso dos óculos para filmar pessoas sem consentimento e expor o conteúdo em redes sociais já é uma realidade monitorada no país.
O posicionamento da Meta
Embora não tenha respondido diretamente à carta, a Meta costuma reforçar que seus óculos possuem mecanismos de segurança, como um LED indicador que acende durante as gravações. A empresa afirma ainda que possui tecnologias para impedir o funcionamento da câmera caso a luz seja obstruída e que bane usuários que violam as políticas de uso da plataforma.
A íntegra da carta enviada ao CEO da Meta está disponível no site da American Civil Liberties Union (ACLU) de Massachusetts.





