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Keytruda: o tratamento essencial contra o câncer com custo de R$ 20 mil por dose

A investigação internacional Cancer Calculus trouxe à tona as estratégias da farmacêutica Merck Sharp & Dohme (MSD) para manter o monopólio global sobre o Keytruda (pembrolizumabe), um medicamento revolucionário que trata 19 tipos de câncer, mas que custa cerca de R$ 20 mil por dose no Brasil.

A “Fortaleza” das Patentes

A MSD protege seu faturamento bilionário — que apenas em 2025 atingiu US$ 31,7 bilhões — através de uma malha de mais de 1.200 pedidos de patente.

  • A tática: Mesmo com as patentes principais expirando em 2028, a empresa utiliza “patentes de continuação” para tentar estender o controle até 2042.
  • O impacto: Isso atrasa em mais de uma década a chegada de genéricos (biossimilares) mais baratos, sufocando a concorrência e mantendo os preços elevados.

Conflitos de Custos e Prescrições

Existe uma disparidade enorme entre os dados da empresa e de especialistas:

  • Investimento: Enquanto o CEO da MSD cita gastos de US$ 46 bilhões em P&D, a ONG Public Eye estima que o custo real foi de apenas US$ 1,9 bilhão (cerca de 1% da receita gerada pelo remédio).
  • Influência: A empresa investiu US$ 52 milhões em pagamentos a médicos nos EUA. Estudos mostram que o financiamento da indústria pode elevar as prescrições em 4% nos meses seguintes.
  • Dosagem: Pesquisadores e a OMS defendem o uso de doses baseadas no peso do paciente, o que economizaria US$ 5 bilhões globalmente, mas a fabricante mantém a recomendação de doses fixas.

O Cenário Brasileiro: Judicialização e Produção Nacional

No Brasil, o Keytruda é o campeão de processos na Justiça, com 6,7 mil ações judiciais de pacientes buscando acesso ao tratamento. Entre 2020 e 2024, o faturamento da MSD no país cresceu impressionantes 265%.

Para combater essa dependência, o governo brasileiro iniciou uma estratégia de soberania sanitária:

  1. Parceria com o Instituto Butantan: Uma transferência de tecnologia permitirá a produção nacional do pembrolizumabe.
  2. Expansão no SUS: Atualmente restrito ao melanoma, a fabricação local permitirá que o SUS ofereça o remédio para câncer de pulmão, mama, esôfago e colo do útero, reduzindo a necessidade de “vaquinhas” online para tratamento.

O Posicionamento da MSD

A farmacêutica defende que seus preços são regulados e refletem o “valor” da tecnologia para a sociedade. A empresa destaca que a imunoterapia quadruplicou a sobrevida em casos de câncer de pulmão avançado e reforça que a parceria com o Butantan deve atender mais de 13 mil pessoas por ano no Brasil, fortalecendo o complexo industrial da saúde no país.

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