Enquanto os astronautas da missão Artemis 2 realizam sua histórica órbita lunar, a NASA conduz simultaneamente um experimento biológico inovador. A bordo da cápsula Orion, foram enviados quatro dispositivos transparentes — do tamanho de pen drives — que carregam células vivas da medula óssea de cada um dos tripulantes: Victor Glover, Jeremy Hansen, Christina Koch e Reid Wiseman.
Este projeto é parte do programa Avatar (A Virtual Astronaut Tissue Analog Response), que utiliza a tecnologia de “órgão em chip” para atuar como um sistema de alerta precoce sobre os efeitos da radiação espacial.
O funcionamento da tecnologia Avatar
Os dispositivos não são simulações digitais, mas sim sistemas físicos que utilizam canais microfluídicos para manter células humanas reais em um ambiente que mimetiza o corpo humano. Colhidas meses antes da missão, essas células permitem que os cientistas:
- Antecipem danos: Observem alterações genéticas e celulares em tempo real, sem expor os astronautas a riscos diretos.
- Personalizem a medicina: Desenvolvam tratamentos e medicamentos específicos para o DNA de cada astronauta.
- Substituam modelos animais: Testem a eficácia de remédios diretamente em tecidos humanos sob condições espaciais reais.
O desafio da radiação no espaço profundo
Ao deixar a órbita terrestre e a proteção do campo magnético do nosso planeta, a tripulação enfrenta raios cósmicos galácticos, explosões solares e a radiação de albedo (que reflete na superfície lunar).
A escolha da medula óssea para o experimento é estratégica, pois este é um dos tecidos humanos mais vulneráveis à radiação. De acordo com Nicola Fox, administradora associada da NASA, a técnica permite uma análise sofisticada e segura do impacto biológico no tecido humano sem a necessidade de realizar experimentos invasivos nos próprios astronautas durante o voo.
Previsão e Prevenção
O objetivo final, segundo Donald Ingber, do Instituto Wyss de Harvard, é o conceito de “saber antes de ir”. Com os dados coletados pelos chips, a NASA poderá identificar riscos de câncer ou falência óssea antes mesmo que qualquer sintoma se manifeste nos astronautas, garantindo maior segurança para futuras missões de longa duração.





