Pela primeira vez, o Departamento de Defesa (DoD) dos Estados Unidos veio a público explicar por que a Anthropic, desenvolvedora da inteligência artificial Claude, foi designada como um risco para a cadeia de suprimentos da defesa. Em entrevista à CNBC na última quinta-feira (12), Emil Michael, diretor de tecnologia do órgão, detalhou que a preocupação reside na “constituição” ética do modelo, que poderia comprometer a eficácia militar.
O conflito entre diretrizes éticas e uso militar
Segundo Michael, o Pentágono teme que as “preferências de política” incorporadas ao Claude — filtros de segurança e ética definidos pela Anthropic — possam “poluir” as tecnologias das forças armadas.
“Não podemos permitir que uma empresa com preferências de política diferentes, integradas na essência do modelo, afete a cadeia de suprimentos. Isso poderia resultar em combatentes recebendo armamentos ou equipamentos de proteção ineficazes”, afirmou o executivo.
Historicamente, essa classificação de risco é aplicada a empresas de países adversários. A aplicação da medida a uma companhia norte-americana é vista como um movimento sem precedentes.
Batalha Judicial e Resistência da Anthropic
A Anthropic reagiu prontamente, processando a administração de Donald Trump. A empresa alega que a decisão é ilegal e ameaça centenas de milhões de dólares em contratos.
Embora o governo negue que a medida seja punitiva, o embate escalou após a Anthropic se recusar a remover suas “travas” de segurança — que proíbem o uso da IA para vigilância doméstica em massa ou armas autônomas — conforme exigido por um memorando do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, em janeiro de 2026.
Linha do Tempo: Do Contrato ao Banimento
- Julho de 2024: Parceria com a Palantir para levar o Claude ao setor de inteligência.
- Julho de 2025: Pentágono concede US$ 200 milhões à Anthropic para desenvolvimento de IA de fronteira.
- Janeiro de 2026: Novo memorando exige cláusula de “qualquer uso lícito”, confrontando as políticas de segurança da Anthropic.
- 27 de Fevereiro de 2026: Após a Anthropic recusar a remoção de salvaguardas, o governo Trump ordena a interrupção do uso de seus produtos e classifica a empresa como risco à cadeia de suprimentos.
- 28 de Fevereiro de 2026: A OpenAI (Sam Altman) aceita os termos do governo e ocupa o espaço deixado pela Anthropic na rede do Departamento de Defesa.
- Início de Março de 2026: A Anthropic entra oficialmente na justiça para reverter a classificação, enquanto o Pentágono inicia um plano de transição para substituir a tecnologia Claude em seus sistemas.
Situação Atual
Apesar da restrição, a substituição do Claude não é imediata. Empresas como a Palantir ainda utilizam o modelo, e o próprio Pentágono reconhece que o processo de transição é complexo. “Não é como o Outlook, que você pode simplesmente apagar”, comparou Emil Michael. O desfecho agora depende dos tribunais, onde a Anthropic tenta provar que sua “IA constitucional” não representa uma ameaça, mas uma camada necessária de segurança.





