Após 37 anos repousando no leito oceânico, o TAT-8, marco zero da internet submarina moderna, está sendo finalmente removido. A operação, liderada pela Subsea Environmental Services, encerra um ciclo iniciado em 1988, quando o cabo revolucionou as telecomunicações ao substituir o cobre pela fibra óptica entre os EUA, Inglaterra e França.

Embora tenha operado por apenas 14 anos — sendo desativado em 2002 devido à explosão da World Wide Web que saturou sua capacidade de 560 Mbit/s —, o TAT-8 estabeleceu padrões usados até hoje, como a blindagem de aço contra mordidas de tubarões.
Logística e Desafios da Recuperação
A retirada do material é uma tarefa de alta precisão executada pelo navio MV Maasvliet. O processo envolve:
- Pesca de Profundidade: Um gancho plano é lançado da proa e rebocado a 1,8 km/h até “fisgar” a estrutura.
- Manuseio Delicado: Ao contrário dos cabos antigos, a fibra óptica do TAT-8 precisa ser enrolada manualmente no porão do navio para não quebrar.
- Fatores Climáticos: Em 2026, as tempestades Dexter e Erin dificultaram os trabalhos, resultando em uma coleta menor que o previsto originalmente.
Reciclagem e Economia Circular
Os 6 mil quilômetros de extensão do cabo não serão descartados, mas transformados em matéria-prima na África do Sul:
- Cobre: Item estratégico, dada a previsão de escassez global do metal nos próximos 10 anos.
- Aço: A armadura externa será reaproveitada na fabricação de cercas.
- Polietileno: O revestimento plástico será reciclado para novas aplicações na Holanda.
- Metais Preciosos: Mais de 100 repetidores optoeletrônicos estão sendo desmontados para extrair componentes valiosos.
Por que remover cabos antigos?
Além da recuperação de materiais, a retirada é fundamental para desobstruir as rotas submarinas. Estima-se que existam 2 milhões de quilômetros de cabos desativados ocupando espaço no fundo do mar.
Atualmente, cerca de 500 cabos ativos sustentam a internet global, superando satélites em latência e capacidade. Enquanto os novos sistemas são projetados para durar 25 anos, o pioneiro TAT-8 agora abre caminho para que essa infraestrutura invisível continue evoluindo.





