Um relatório detalhado do pesquisador de segurança Q Continuum revelou que o ecossistema de extensões do Google Chrome tornou-se uma ferramenta massiva de vigilância. Cerca de 287 extensões na loja oficial foram identificadas coletando o histórico de navegação de mais de 37,4 milhões de pessoas, transformando hábitos online em produtos comerciais.
Como o esquema funciona
Disfarçadas de ferramentas úteis — como bloqueadores de anúncios, temas personalizados e assistentes de busca —, essas extensões enviam dados detalhados para empresas e corretores de dados.
A investigação, que utilizou contêineres Docker e monitoramento de tráfego (man-in-the-middle), descobriu táticas sofisticadas:
- Ofuscação de dados: Uso de técnicas para esconder o envio das informações.
- Consentimento camuflado: Algumas esperam o usuário aceitar uma política de privacidade genérica antes de iniciar a coleta.
- Venda de extensões: Desenvolvedores vendem extensões populares para terceiros, que alteram o código original para inserir funções de rastreamento.
Empresas e o mercado de dados
O relatório associa grandes nomes a extensões que somam milhões de usuários, como Similarweb (com mais de 10 milhões), Alibaba Group, ByteDance, Semrush e Big Star Labs.
O ponto mais alarmante, porém, é que cerca de 20 milhões de usuários estão sendo rastreados por extensões cuja origem e destino dos dados não puderam ser identificados, operando sob estruturas empresariais obscuras.
Riscos além da vida privada
Para especialistas como John Carberry, da Solution Sleuth, o problema escala drasticamente no ambiente corporativo. A captura de URLs completas pode expor:
- Tokens de sessão: Permitindo o acesso a contas sem senha.
- Recursos em nuvem: Revelando endereços de documentos e ferramentas confidenciais.
- Domínios internos: Expondo a infraestrutura de segurança das empresas.
A moeda de troca
O estudo reforça que esse monitoramento muitas vezes não é classificado como um “malware” tradicional, o que permite que ele passe despercebido pelos filtros de segurança. A conclusão é direta: no mercado de extensões gratuitas, o histórico de navegação do usuário — incluindo buscas e identificadores pessoais — é a verdadeira moeda de troca.





