Google indenizará usuários em US$ 68 milhões por monitoramento indevido via celular

O Google aceitou desembolsar US$ 68 milhões (cerca de R$ 359 milhões) para finalizar uma ação judicial na Califórnia. A empresa é acusada de utilizar o Google Assistente para gravar conversas privadas de usuários sem autorização, após acionamentos acidentais da ferramenta em dispositivos Android.

O funcionamento das gravações indevidas

De acordo com os autos do processo, o assistente virtual — que deveria ser ativado apenas pelos comandos “Ok, Google” ou “Hey, Google” — frequentemente iniciava gravações ao confundir palavras cotidianas com os termos de ativação.

Os principais pontos da acusação destacam que:

  • Captação Oculta: O microfone registrava diálogos sem o conhecimento ou consentimento dos usuários.
  • Armazenamento e Análise: Os áudios eram enviados aos servidores da empresa para processamento.
  • Fins Publicitários: Os autores alegam que o conteúdo dessas conversas privadas era compartilhado com anunciantes para a criação de propagandas personalizadas.

Contexto e Antecedentes

Embora tenha sido amplamente substituído pela inteligência artificial Gemini, o Google Assistente ainda está presente em milhões de aparelhos antigos. O caso não é isolado no setor: em 2025, a Apple pagou US$ 95 milhões para encerrar uma disputa semelhante envolvendo a assistente Siri.

Posicionamento da Empresa e Elegibilidade

Apesar de ter aceitado o acordo para evitar custos judiciais prolongados e riscos futuros, o Google negou qualquer irregularidade ou prática de espionagem durante o processo. A companhia optou por não emitir comentários públicos sobre o desfecho.

Quem pode ser beneficiado? O pagamento ainda depende da validação final da juíza federal Beth Labson Freeman. O acordo prevê indenizações para:

  • Pessoas que compraram dispositivos do Google ou sofreram com ativações falsas do assistente a partir de 18 de maio de 2016.

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