Com o auxílio de inteligência artificial, um programador identificou um potencial planeta fora do Sistema Solar ao examinar dados públicos disponibilizados pela NASA. O corpo celeste teria um diâmetro aproximadamente 1,4 vez maior que o da Terra, situado a 116 anos-luz de distância e com um período orbital de apenas 3,18 dias em volta de seu astro. Para checar o achado, a agência espacial dos Estados Unidos agendou novas medições para o mês de novembro.
A pesquisa foi liderada por Pavel Rabtsevich, programador e apaixonado por astronomia, que se debruçou sobre as informações captadas pelo telescópio espacial TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), equipamento dedicado a rastrear exoplanetas. No encerramento de 2025, ele notou reduções periódicas de cerca de 0,05% na luminosidade da estrela TIC 4206066, durando por volta de duas horas e se repetindo quase a cada três dias.
Para testar sua teoria, Rabtsevich recorreu também a registros coletados em 2018 e 2020. A combinação dessas informações permitiu mapear 22 episódios de sombreamento alinhados à passagem de um planeta na frente da estrela, efeito batizado de trânsito planetário. O padrão constante dos indícios fortaleceu a tese, embora fosse preciso eliminar hipóteses de falhas técnicas ou ruídos nos equipamentos.
As apurações sugerem ainda a presença de um segundo corpo no mesmo sistema, denominado Candidate B, situado em uma órbita mais afastada da estrela TIC 4206066. Apesar disso, a atenção principal recai sobre o Candidate A, o objeto de proporção 1,4 vez superior à terrestre e ciclo orbital de 3,18 dias. É ele o responsável pelas oscilações de 0,05% no brilho estelar, cujo comportamento foi avaliado por algoritmos criados com suporte do Claude Code.

Dados do telescópio TESS ajudaram a identificar um possível exoplaneta a 116 anos-luz da Terra. (Reprodução/Pavel Rabtsevich)
O papel da IA no processo de análise
Todo o trabalho de checagem levou cerca de 14 dias e exigiu o desenvolvimento de mais de mil scripts, acompanhados de 74 etapas de validação, de acordo com o desenvolvedor. A plataforma de programação Claude Code, criada pela Anthropic, serviu para tratar o volume de dados do TESS, elaborar rotinas de código e aperfeiçoar equações matemáticas destinadas a prever a ocorrência dos trânsitos.
Rabtsevich usou ainda o OpenAI Codex e a aplicação Jev para revisar o processo. Durante uma das etapas de teste, ele omitiu trechos dos registros e solicitou que o Claude Code estimasse os momentos em que o brilho voltaria a cair. Segundo o programador, o sistema projetou com precisão as datas e horários com base no modelo criado.
A aplicação dessas ferramentas automatizou tarefas que normalmente exigiriam domínio técnico aprofundado e etapas complexas de processamento. Contudo, a validação final ainda se apoia na precisão dos dados primários e precisa passar pelo crivo da comunidade científica antes do reconhecimento oficial como um exoplaneta verificado.

Claude Code foi usado para analisar dados astronômicos e prever possíveis trânsitos planetários. (Reprodução/Pavel Rabtsevich)
TESS realizará novas medições da estrela
Os achados levantados por Rabtsevich foram encaminhados aos pesquisadores encarregados do projeto TESS e aceitos para revisão. Em função disso, a estrela TIC 4206066 entrou na agenda de varreduras do telescópio programada para novembro. Esse novo ciclo de captação servirá para checar se as reduções de luz acontecem exatamente nos prazos estimados pelos modelos.
A validação definitiva dependerá do estudo desses novos dados e do descarte de qualquer outro motivo físico para a variação da luz. Enquanto essa verificação não for concluída, o corpo celeste segue classificado como candidato a exoplaneta, sem o status de descoberta confirmada.





