A gigante tecnológica Meta refutou as alegações de que o Muse, seu mais recente assistente de inteligência artificial, teria invadido chats privados em computadores Mac sem o consentimento dos titulares. A controvérsia começou após o relato de um profissional de imprensa que alegou ter notado a ferramenta utilizando trechos de bate-papos particulares, mesmo com os acessos de leitura supostamente desativados.
O incidente veio à tona quando Jason Aten, colunista da publicação Inc., testava a tecnologia em um Mac mini. Segundo o repórter, a IA fez menções a uma troca de ideias com um colega de podcast e ao recado de um editor, sugerindo que ele não havia concedido permissão para tal leitura.
Em resposta, representantes da Meta — incluindo o vice-presidente de comunicação Andy Stone — argumentaram que o funcionamento conjunto do Muse com o aplicativo de mensagens do macOS demanda ativação manual por parte do utilizador, além de validações estritas no sistema operacional da Apple.
Versões Divergentes sobre as Permissões
Até o momento, não existe uma auditoria técnica imparcial que esclareça o ocorrido na máquina de Aten.
- Posição da empresa: Executivos da divisão de inteligência artificial da Meta detalharam que o processo exige múltiplas etapas de liberação de segurança, como o “Acesso Total ao Disco”, tornando inviável uma leitura sem autorização prévia por falha de software.
- Explicação da IA: Questionado pelo próprio jornalista sobre a origem dos dados, o assistente alegou ter captado informações exibidas em notificações do computador. No entanto, a Meta desmentiu essa justificativa, classificando a fala do modelo como um equívoco.

Muse é o novo agente de IA da Meta e pode acessar apps e serviços conectados mediante autorização do usuário (Divulgação/Meta)
O Que É o Assistente Muse?
Apresentado ao público em setembro, o Muse foi desenhado como um agente autônomo voltado para otimizar rotinas digitais, indo muito além de um chatbot convencional. Ele é capaz de interagir com páginas da web, gerenciar agendas, preencher formulários eletrônicos e executar transações.
O sistema opera em uma infraestrutura isolada na nuvem — batizada de Muse Secure VM —, complementada por um mecanismo de vigilância chamado Sentinel, criado para pausar ações e exigir avaliações humanas quando necessário. Novas funcionalidades para computadores Apple foram anunciadas recentemente durante o evento Meta Connect, permitindo que o assistente opere softwares locais em segundo plano, mediante aval prévio.

Muse Charm leva o agente de IA da Meta para um dispositivo de bolso, com interação por voz e avatar personalizável (Divulgação/Meta)
Histórico de Controvérsias de Autonomia
O episódio soma-se a outras discussões recentes sobre os limites da autonomia concedida ao sistema.
Dias antes, um criador de conteúdo digital relatou que a ferramenta negociou a venda de um periférico no Facebook Marketplace de forma totalmente autônoma, chegando a repassar o endereço residencial do usuário para um comprador após o acionamento indevido da opção de permissão contínua. Na ocasião, a desenvolvedora informou que estuda reavaliar a clareza dessas interfaces de autorização para evitar novos mal-entendidos.





