Aproximadamente 32% dos consumidores brasileiros rejeitam categoricamente a ideia de deixar que assistentes virtuais baseados em inteligência artificial realizem aquisições de forma autônoma, sem o aval humano. É o que aponta o relatório inédito Global Digital Shopping Index 2026: Brazil Playbook – The New Brazilian Shopper, desenvolvido pela PYMNTS Intelligence em parceria com a Visa Acceptance Solutions e divulgado nesta terça-feira (15).
Embora o índice de cautela no país seja expressivo, ele ainda se mantém abaixo do observado em mercados maduros como o norte-americano, onde 44% dos entrevistados relatam total relutância em permitir transações sem supervisão direta. Para Gustavo Carvalho, vice-presidente de Serviços de Valor Agregado da Visa do Brasil, os números refletem um otimismo cauteloso: os compradores nacionais demonstram interesse em integrar ferramentas inteligentes à sua rotina de consumo, mas fazem questão de reter o poder de veto.
Condicionantes para a automação
A pesquisa detalha que a relutância em delegar decisões de compra não significa um fechamento total para a tecnologia. Pelo contrário, a aceitação de ferramentas automatizadas cresce consideravelmente quando o consumidor dispõe de salvaguardas bem definidas:
- Direito de arrependimento estendido: Cerca de 28% dos participantes aceitariam o uso de agentes autônomos se houvesse a garantia de poder cancelar qualquer transação no prazo de até 24 horas.
- Critérios econômicos: Para 25% do público, a automação seria viável caso gerasse economia expressiva abaixo de tetos orçamentários pré-estabelecidos, devoluções gratuitas ou a garantia de arrematar itens raros.
Segurança e gestão de dados
A prudência do público nacional também transparece na forma como gerenciam suas informações confidenciais. O levantamento indica que 47% dos brasileiros adotam uma postura restritiva, preferindo liberar o acesso de sistemas de IA a dados pessoais de compra e de pagamento estritamente caso a caso. Em contrapartida, apenas 11% se mostram dispostos a conceder liberdade irrestrita às ferramentas no que tange a credenciais financeiras.
Com o avanço de tecnologias que se aproximam cada vez mais das etapas finais de checkout, especialistas reforçam que o sucesso do varejo digital dependerá de plataformas capazes de oferecer transparência máxima, permitindo que o usuário estabeleça limites claros de gastos e revise operações com total facilidade.





