O game Build the Wall, uma cópia descarada de Tetris disponibilizada pela administração federal dos Estados Unidos em sua plataforma de jogos digitais, saiu do ar poucos dias após a detentora dos direitos da franquia emitir um alerta público sobre violações de propriedade intelectual. A descontinuação discreta do software reacende o debate em torno do uso de marcas consagradas em iniciativas oficiais do governo norte-americano.
O clone de curta duração
No dia 3 de setembro de 2026, a sede do governo dos EUA inaugurou o portal Arcade.gov, reunindo minigames de navegador inspirados em clássicos da indústria. Entre eles estava Build the Wall, que replicava fielmente a mecânica de blocos encaixáveis do Tetris, mas com uma roupagem temática na qual o jogador impedia uma invasão de mortos-vivos na fronteira sul do país, perdendo a partida caso as peças chegassem ao topo.
Logo no dia seguinte, a The Tetris Company utilizou a rede social X para desvincular sua imagem do projeto governamental. O comunicado destacava que a corporação não participou do desenvolvimento e reforçava que violações de copyright são tratadas com máxima rigidez.
Um representante da firma declarou à imprensa que a marca acumula quatro décadas promovendo a união global por meio dos videogames, confirmando que o departamento jurídico estava avaliando a situação. Menos de uma semana após o aviso, a aplicação foi retirada do ar sem maiores justificativas.
P.S. The Tetris Company was not involved in the creation of ‘Build the Wall’.
— Tetris (@Tetris_Official) September 4, 2026
P.P.S. We take copyright infringement very seriously. pic.twitter.com/Fu02khRpT3
Ausência de posicionamento oficial
Até o momento, não há informações concretas se a remoção decorreu de um contato direto ou de um envio formal de notificação extrajudicial por parte da detentora do Tetris, visto que nenhuma das partes comentou os bastidores da decisão.
As outras quatro opções do Arcade.gov continuam ativas para o público. O catálogo inclui Flappy Bill (inspiração em Flappy Bird), Supply Line (baseado no clássico Tapper), Rio Run (releitura de Snake) e Trump Savings Tycoon, focado em simulação de finanças.
O episódio não representa um caso inédito na gestão pública dos EUA. Historicamente, o uso de criações protegidas já gerou atritos diplomáticos e culturais, a exemplo de advertências do governo japonês contra o uso político de personagens da Nintendo e de Pokémon, além de negativas da produtora de Yu-Gi-Oh após trechos do animê ilustrarem campanhas oficiais, evidenciando um histórico recorrente de uso não autorizado de franquias globais.





