Um estudo divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que vinte por cento dos jovens no Brasil, na faixa etária entre 12 e 17 anos, já foram vítimas de violência sexual digital. O panorama nacional alinha-se à proporção observada mundialmente, sendo as plataformas sociais o principal meio utilizado para o assédio e a exploração dessa faixa etária.
Conforme divulgado pelo documento internacional intitulado “Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil”, lançado nesta quinta-feira (3), mais de quinze milhões de menores de idade em 21 nações enfrentaram exposição a material sexual não solicitado, ao passo que nove milhões passaram por situações de aliciamento para diálogos de cunho sexual ou envio forçado de registros íntimos.
Adicionalmente, quatro milhões de menores relataram o vazamento de fotografias e vídeos íntimos sem autorização, situação agravada pelo uso de inteligência artificial na criação de deepfakes. O estudo pondera que as estatísticas reais podem ser ainda mais expressivas, considerando a subnotificação decorrente de diversos fatores que impedem as vítimas de buscarem ajuda.
Panorama nacional
No primeiro semestre do ano, a organização já havia divulgado um levantamento direcionado ao contexto brasileiro. Os dados indicam que sessenta e seis por cento das ocorrências de abuso ocorreram em ambientes virtuais, encabeçados por redes sociais e aplicativos de troca de mensagens, com destaque para o WhatsApp e o Instagram como os locais mais apontados pelas vítimas.
O ambiente dos jogos eletrônicos representou o segundo espaço digital com maior incidência de episódios de exploração, registrando doze por cento. O documento aponta que, em quase metade dos episódios relatados, equivalente a quarenta e nove por cento, a tentativa de assédio partiu de indivíduos conhecidos das vítimas.





