Depois de um longo período retido nos arquivos da produtora, o longa-metragem misto de live-action e animação Coyote vs. Acme estreia oficialmente nas salas de exibição do Brasil nesta quinta-feira (27). Estrelado por John Cena, o projeto havia sido guardado pela Warner Bros. em 2023 apesar de já estar concluído, gerando um escândalo midiático de grandes proporções até ser resgatado pela Ketchup Entertainment.
Sob a direção de Dave Green, a trama combina atores reais ao universo dos Looney Tunes, acompanhando a decisão de Wile E. Coyote de contratar um defensor jurídico para processar a corporação Acme devido às recorrentes falhas de suas engenhocas na caçada ao Papa-Léguas.
Com as filmagens encerradas desde 2022, o título acabou sofrendo com a onda de paralisações promovida pela Warner durante a fusão corporativa com a Discovery sob a gestão do CEO David Zaslav, movimento que também sacrificou produções como Batgirl e o especial de Scooby-Doo. A revelação do veto provocou forte rejeição popular e intensa cobrança da imprensa para que a empresa repassasse os direitos a terceiros.
A motivação financeira por trás do veto
Apesar de o estúdio ter tentado justificar a medida alegando alinhamento com uma nova diretriz criativa, a real razão para o congelamento de Coyote vs. Acme esteve atrelada a incentivos fiscais.
Durante aquela fase, a companhia implementou um corte drástico de despesas para enxugar o orçamento. Nesse cenário, o filme entrou no radar de contingenciamento por conta de uma estratégia contábil: a diretoria calculou que compensava mais descartar a estreia comercial para abater o valor como prejuízo fiscal do que investir pesado em divulgação e distribuição sem garantia de retorno nas bilheterias.
Reação popular e a reviravolta comercial
A revelação do cancelamento revoltou os fãs, revoltados com o fato de uma obra totalmente finalizada ser mantida inédita. Diante da repercussão negativa, a Warner passou a ser fustigada para negociar o longa com concorrentes, embora tenha inicialmente recusado ofertas feitas por empresas como Netflix e Paramount por considerarem os valores insuficientes.

Coyote vs. Acme foi cancelado pela Warner em 2023 como parte de um agressivo corte de gastos na empresa. (Divulgação/Ketchup Entertainment)
O impasse começou a se resolver em março de 2025, quando a distribuidora independente Ketchup Entertainment comprou os direitos da obra por US$ 50 milhões, tirando-a do limbo corporativo.
Para a alegria dos espectadores, a jornada conturbada da produção foi recompensada pela ótima recepção da crítica especializada, ostentando impressionantes 95 de aprovação no Rotten Tomatoes, estando agora disponível para o público brasileiro conferir nas telonas.

Coyote vs. Acme foi adquirido pela Ketchup Entertainment em 2025 após alguns anos no limbo da Warner. (Divulgação/Ketchup Entertainment)





