A plataforma de microblogging pertencente a Elon Musk, o X, iniciou nesta última segunda-feira (27) a disponibilização oficial do X Money, seu novo sistema de serviços financeiros embutido na rede. A funcionalidade foi liberada inicialmente para os assinantes das modalidades Premium e Premium+ em território norte-americano, conforme detalhado em nota oficial.
Essa expansão marca o fim da fase experimental iniciada no final de junho, período em que o recurso era restrito a um grupo seleto de usuários nos Estados Unidos. Agora, qualquer cliente pagante da plataforma no país pode usufruir da novidade.
Os recursos do X Money
A ferramenta possibilita armazenar saldo, realizar transferências P2P (entre usuários), quitar faturas, efetuar remessas bancárias e até realizar o envio de cheques postais, centralizando tudo na interface do aplicativo. Além disso, a companhia disponibiliza um cartão de débito físico batizado de X Card, compatível com a rede global Visa.
O cartão oferece vantagens como um retorno de 3% de cashback em aquisições selecionadas, isenção de tarifas em saques de terminais de autoatendimento e ausência de taxas em operações cambiais internacionais. Clientes que configurarem o repasse automático de seus salários ainda contam com a vantagem de receber os valores com até 48 horas de antecedência.
Os fundos mantidos na plataforma são custodiados pelo Cross River Bank — instituição sediada em Nova Jersey bastante utilizada por empresas do setor de tecnologia financeira (fintechs) —, contando com a proteção do FDIC (o fundo federal de garantia de depósitos dos EUA) até o limite de 250 mil dólares. De acordo com o banco parceiro, esta é a primeira estrutura bancária ancorada em uma rede social norte-americana a contar com essa proteção regulatória.
Os assinantes do plano Premium+ (com mensalidade de 40 dólares) ganham acesso imediato a uma taxa de rendimento de até 6% ao ano sobre o montante guardado. Em contrapartida, quem assina a categoria Premium, de 8 dólares mensais, precisa atingir metas específicas de depósito salarial para garantir a mesma rentabilidade.

Interface do aplicativo do X Money (Reprodução/X Money)
A proposta operacional do serviço se assemelha bastante à de carteiras virtuais consolidadas no mercado brasileiro (a exemplo de Nubank, PicPay e Mercado Pago), que integram conta, cartões e rendimento de saldo. No mercado estadunidense, o X Money entra para disputar espaço com concorrentes diretos como o Venmo (do PayPal), o Cash App (da Block) e o SoFi.
Antes de sua chegada ao mercado, a iniciativa já havia gerado debates em instâncias políticas de Washington. Em abril, a senadora democrata Elizabeth Warren, integrante de destaque da Comissão de Bancos do Senado, enviou questionamentos públicos sobre a sustentabilidade financeira da taxa de juros prometida pela plataforma, além de relembrar investigações prévias do FDIC direcionadas ao parceiro bancário Cross River.
O retorno às origens de Musk
A investida no setor financeiro não é novidade na trajetória de Elon Musk. No final da década de 1990, o empresário criou uma empresa de soluções de pagamento chamada justamente X.com, que posteriormente se fundiu com a Confinity no ano 2000, dando origem ao gigante PayPal.
Desde que adquiriu a plataforma em 2022, Musk manifesta publicamente a ambição de converter o antigo Twitter em um “aplicativo universal” (super app), seguindo os moldes do chinês WeChat, que concentra comunicação, comércio eletrônico e transações financeiras em um único ecossistema.





