A gigante de tecnologia Alibaba, controladora do AliExpress, vetou a utilização do Claude Code — o assistente de programação baseado em inteligência artificial da Anthropic — por parte de sua equipe interna. A revelação foi feita por uma reportagem da agência Reuters, que obteve a informação por meio de um informante anônimo e sem autorização para se pronunciar publicamente pela companhia.
Conforme apontou a fonte, os desenvolvedores da corporação chinesa receberam instruções para migrar suas atividades para o Qoder, um sistema de codificação desenvolvido internamente pela própria Alibaba.
O Motivo por Trás do Bloqueio
A restrição aconteceu logo após a ferramenta da Anthropic entrar sob os refletores devido a funcionalidades projetadas para rastrear utilizadores vinculados à China. Profissionais da área notaram que o Claude Code monitorava dados geográficos, como o fuso horário e as configurações de proxy de quem o operava, além de embutir marcas discretas nas requisições direcionadas à infraestrutura da startup norte-americana.
Em um posicionamento no X (antigo Twitter), um colaborador da Anthropic justificou que a funcionalidade fazia parte de “um teste iniciado em março”. O objetivo, segundo ele, era coibir a exploração indevida de acessos por parte de distribuidores clandestinos e blindar a organização contra a cópia não autorizada de suas redes neurais.
O informante da Reuters explicou que, enquanto desenvolvedores autônomos conseguem driblar os bloqueios da Anthropic contra a China alugando servidores em solo americano e camuflando sua conexão, as grandes corporações preferem não arriscar, focando rigorosamente na conformidade jurídica e em normas de compliance.

Dois modelos de IA da Anthropic chegaram a ser bloqueados para estrangeiros pelo governo dos EUA (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)
Guerra Fria Tecnológica: Acusações de Plágio em Larga Escala
O veto ao aplicativo intensifica um conflito pré-existente entre a empresa chinesa e a startup norte-americana.
De acordo com documentos obtidos pela CNBC, a Anthropic enviou uma notificação a um comitê do Senado dos EUA denunciando que a Alibaba buscou capturar de maneira “explícita e irregular” a inteligência de seus sistemas. A liderança da startup rotulou a investida como a maior ofensiva de destilação de modelos já registrada na história da companhia.
A destilação consiste em um processo onde engenheiros usam o comportamento e os resultados de uma IA robusta para calibrar e aprimorar um modelo computacional menor e menos custoso.
A denúncia aponta que perfis vinculados ao centro de pesquisas da Alibaba efetuaram quase 29 milhões de requisições às plataformas da Anthropic em um intervalo de menos de dois meses, utilizando um ecossistema com cerca de 25 mil contas falsas. Representantes da Anthropic defenderam que frear esse tipo de apropriação indébita demanda uma aliança firme entre o setor privado e as autoridades públicas.
Até o momento, nem a Alibaba e nem a Anthropic emitiram declarações formais à imprensa a respeito da proibição do Claude Code ou sobre as queixas de pirataria de dados.





