Com lançamento agendado para o dia 11 de junho, o longa Dia D (Disclosure Day) marca o retorno do aclamado diretor Steven Spielberg às tramas de grandes conspirações e momentos perturbadores envolvendo vida extraterrestre. Mas se por um lado o cineasta não fecha totalmente as portas para as inovações da inteligência artificial, a protagonista Emily Blunt bateu o pé e se recusou terminantemente a utilizar a tecnologia em suas cenas.
Em entrevista ao quadro Hot Ones, do canal First We Feast, a atriz detalhou os motivos de sua rejeição às ferramentas digitais. Ela também revelou ter sido a mente — e a voz — por trás de uma das sequências mais assustadoras do filme, na qual sua personagem emite sons grotescos durante um programa de TV.
O Motivo da Recusa e os Bastidores da Cena
De acordo com Blunt, o momento mais impactante da produção tem aproximadamente quatro minutos de duração. Nele, a meteorologista Margaret Fairchild, vivida pela atriz, sofre uma espécie de pane ao vivo durante uma transmissão em Kansas City.
- Foco no orgânico: “Havia diversas maneiras de fazer isso. Poderíamos ir pela rota da IA, que me aterroriza. Eu pensei que poderia fazer alguns sons reais e muitos estranhos”, explicou a artista.
- Efeitos de voz puros: Blunt foi a única responsável por criar a sequência de cliques, respirações descompassadas e sussurros bizarros que o público ouvirá nos cinemas.
- Técnica de captura: Para alcançar o resultado perturbador, a atuação foi gravada simultaneamente por dois microfones, gerando um loop sonoro diferenciado.
- Pós-produção mínima: O material bruto de voz foi posteriormente lapidado pelo designer de som do longa para dar a atmosfera final à cena.
Essa postura firme não é novidade na carreira da atriz, indicada ao Oscar por Oppenheimer. Durante a turnê de divulgação do drama Coração de Lutador: The Smashing Machine, Blunt já havia expressado seu incômodo com “atrizes artificiais” criadas por computador — citando o caso de Tilly Norwood —, apontando que esse tipo de tecnologia destrói a conexão humana essencial no cinema.
Resistência em Meio à Nova Tendência de Hollywood
A firme decisão de Emily Blunt acontece em um período de forte transição na indústria cinematográfica, onde grandes estúdios tentam normalizar o uso de IA. Recentemente, a Amazon MGM Studios anunciou a criação de um Fundo de Criadores voltado justamente para incentivar produções que utilizem inteligência artificial em seu escopo.
Esse cenário escancara a queda de braço atual na indústria: enquanto executivos enxergam na tecnologia uma forma de baratear custos de produção, a classe artística luta para proteger seus empregos e a integridade da profissão.
No caso de Dia D, a insistência de Blunt pelo trabalho convencional colheu frutos valiosos. As primeiras exibições fechadas para a imprensa especializada renderam elogios calorosos à sua performance. Veículos como o Gizmodo cravaram o projeto como a melhor obra de Steven Spielberg em mais de duas décadas, enquanto o Collider destacou que a experiência é ainda mais impressionante para quem for aos cinemas sem ler spoilers sobre o enredo.





