A A24 surpreendeu o público ao lançar o trailer de You Can See Everything, um documentário inédito que foca em Elizabeth Holmes, criadora da Theranos sentenciada por estelionato bilionário. O grande destaque inicial, contudo, é a abordagem excêntrica escolhida para a obra.
Assinado por Nathan Fielder — famoso pelo humor constrangedor de O Ensaio e Nathan For You — ao lado de Lance Oppenheim (Primetime), o longa foca nos momentos que antecederam a prisão de 11 anos da empresária devido aos golpes aplicados em acionistas.
Curiosamente, a própria Holmes abriu as portas de sua casa para que Fielder vivesse com ela e seus familiares nas semanas prévias ao início de sua pena. A prévia já adianta cenas cotidianas e traz a executiva afirmando repetidamente que sofreu uma injustiça judicial.
Os Detalhes do Documentário sobre a Theranos
Com aproximadamente três horas de duração, a estreia de You Can See Everything nos cinemas dos Estados Unidos está marcada para 16 de outubro, ainda sem previsão de chegada ao Brasil. A produção propõe um mergulho profundo na psicologia da figura central de um dos maiores escândalos do Vale do Silício.
Apesar de manter segredo sobre vários pontos, o filme deve expor a rotina da fundadora junto ao companheiro e aos dois filhos em 2023, logo antes da detenção. Exibições antecipadas no Festival de Cinema de Telluride, no início de setembro, receberam elogios da crítica especializada, aumentando as expectativas dos entusiastas do gênero.
A Ascensão e Queda do Império de Sangue
Elizabeth Holmes ganhou destaque mundial em 2003, aos 19 anos, ao criar a Theranos com a proposta inovadora de revolucionar a biotecnologia. A startup prometia testes laboratoriais complexos a partir de poucas gotas de sangue colhidas no dedo.

You Can See Everything mostra rotina de Elizabeth Holmes no mês anterior ao cumprimento de sua pena por fraude bilionária. (Divulgação/A24)
O apelo tecnológico atraiu fortunas de investidores e colocou Holmes no patamar de celebridade corporativa, frequentemente comparada a Steve Jobs, avaliando o negócio em bilhões de dólares.
O castelo de cartas desabou em 2015 graças a reportagens investigativas de John Carreyrou para o The Wall Street Journal, que expuseram a farsa tecnológica: a empresa utilizava equipamentos tradicionais de terceiros e entregava laudos falhos. O desfecho culminou na falência da companhia e na condenação criminal da fundadora em 2022.





