Hackers estão recorrendo a softwares maliciosos do tipo infostealer para furtar sessões de usuários do Claude — a inteligência artificial desenvolvida pela Anthropic — com o objetivo de esgotar os créditos de assinaturas corporativas ou avançadas sem que os donos percebam. O esquema criminoso extrai credenciais de login para gerar chaves de autorização do Claude Code, permitindo que os invasores explorem a capacidade de processamento paga pelas vítimas. A falha atinge em cheio especialistas que utilizam pacotes de alto desempenho, a exemplo do Claude Max 20x, avaliado em US$ 200 mensais (cerca de R$ 1.100,00 no câmbio atual).
O caso veio à tona depois que Grant De Swardt, consultor autônomo de inteligência artificial residente no Reino Unido, notou uma alta atípica no consumo de créditos em datas nas quais estava de folga. Durante um monitoramento controlado, o uso de sua conta saltou de 45% para 55% mesmo sem nenhuma atividade em andamento em sua máquina ou na nuvem.
A Anthropic comunicou a De Swardt que as credenciais capturadas foram empregadas na emissão não autorizada de tokens OAuth do Claude Code, sendo repassadas a plataformas terceirizadas clandestinas para executar demandas de outros indivíduos.
Além de De Swardt, um membro da comunidade Reddit identificado como Current_Afternoon_76 relatou que seu perfil foi migrado para uma modalidade paga de forma arbitrária, fazendo o medidor de consumo disparar de 0% para 100% de uma só vez. Em outra postagem na mesma rede, o uso saltou de 0% para 49% em apenas 12 minutos, após comandos banais e uma rápida pesquisa na web. Situação parecida foi documentada no GitHub, onde uma conta atingiu o teto máximo de utilização por três jornadas seguidas, mesmo sem qualquer comando manual enviado ao chatbot.

Hackers usam malware para roubar sessões do Claude e consumir créditos de assinaturas pagas sem autorização. (Viviane França/Canaltech)
A Anthropic reconheceu a ocorrência do golpe e culpou “agentes maliciosos” que utilizam infostealers ocultos nas máquinas dos usuários para capturar senhas e sessões armazenadas. A companhia declarou ter adotado providências, como a revogação de acessos suspeitos, o pagamento de restituições parciais e o envio de alertas a alguns clientes sobre possíveis infecções em seus equipamentos.
Apesar de a empresa ter disparado e-mails de advertência sobre malwares de roubo de dados para parte dos afetados, De Swardt não recebeu nenhuma notificação. Ele também alegou não ter detectado vestígios de vírus em seu computador, permanecendo sem entender de que maneira sua conta foi invadida. A companhia reforça que a contaminação não decorre do uso do ecossistema do Claude, mas sim de fatores externos, a exemplo de arquivos corrompidos baixados da internet e anúncios fraudulentos.
A opacidade nos dados prejudica o rastreio de consumo
Um dos maiores entraves apontados pelos prejudicados é a escassez de dados granulares acerca da utilização dos tokens. Atualmente, o painel de controle exibe apenas uma métrica consolidada do gasto, omitindo quais ferramentas ou rotinas provocaram a queima dos créditos.
Essa limitação complica a detecção de invasões silenciosas. Na ausência de um extrato detalhado de atividades, uma conta pode ser drenada por terceiros até que o volume anômalo chame atenção ou o titular note movimentações em momentos de inatividade.

Falta de detalhes sobre o consumo de tokens dificulta identificar acessos não autorizados em contas do Claude. (Marcelo Salvatico/Canaltech)
Os percalços para obter atendimento humanizado e a carência de instrumentos de auditoria mais robustos têm impulsionado a migração de usuários para concorrentes. No episódio de De Swardt, o perfil foi normalizado após duas semanas, mas a interrupção gerou impactos financeiros diretos em sua rotina profissional. Como presta serviços de forma independente, ele recorre a agentes de IA cotidianamente para codificação, desenvolvimento web e tarefas administrativas.
Após reaver sua conta, o consultor foi ressarcido em £44,49 referentes aos dias restantes do plano de US$ 200 por mês, mas optou por cancelar definitivamente a assinatura e migrar para o Cursor. O software concorrente dá acesso a múltiplos modelos de linguagem, incluindo alternativas de código aberto mais econômicas que, segundo ele, entregam um nível de eficiência equivalente ao do Claude.





