Enquanto em 2024 a parcela de estreias com uso declarado de IA era de 10,9%, o índice avançou para 19,9% no ano seguinte e alcançou expressivos 30,8% em 2026. Atualmente, um em cada três novos títulos lançados na plataforma emprega algum tipo de ferramenta automatizada, sendo responsáveis por até 90% de todo o acréscimo no volume de publicações.
A forma de uso define a aceitação
Apesar do forte crescimento quantitativo, o sucesso comercial de um projeto depende diretamente de como a tecnologia é implementada. Os dados apontam que 72% dos jogos que falharam em conquistar o público recorreram à inteligência artificial principalmente para a fabricação de ilustrações e assets visuais — uma vertente altamente visível que costuma enfrentar forte resistência por parte da comunidade.

Crescimento dos jogos feitos com IA no Steam ao longo dos anos (Sulka Haro/Reprodução)
Por outro lado, os títulos que obtiveram destaque financeiro e bom desempenho optaram por empregar os algoritmos nos bastidores. Nesses casos, a tecnologia serviu para otimizar etapas como tradução, locução, programação de código e efeitos sonoros, funcionando como um suporte à produtividade com posterior curadoria humana, e não como uma substituição total.
Se o ritmo atual persistir, as obras criadas com auxílio de IA devem ultrapassar a marca de 50% de todas as novidades do catálogo entre 2027 e 2028. Embora a tecnologia tenha barateado os custos e facilitado o desenvolvimento, o estudo ressalta que o principal desafio da indústria mudou: o gargalo deixou de ser a habilidade de fabricar um software e passou a ser a conquista da atenção do público, onde diferenciais criativos e polimento continuam imperativos.
Em paralelo a esse cenário, a Valve planeja introduzir soluções próprias de IA em sua plataforma, voltadas para o suporte ao consumidor e para o aprimoramento de mecanismos de segurança contra trapaças.





