Você se deparou com mensagens eletrônicas enviadas por alguém que se diz seu parente, mencionando o compartilhamento de registros fotográficos antigos? Cuidado: trata-se de uma investida de phishing. O golpe utiliza o pretexto de retomar uma conversa antiga ou evocar recordações sentimentais para induzir o usuário a acessar links perigosos.
O problema veio à tona por meio de relatos de internautas e reclamações reportadas ao Canaltech. Em geral, as mensagens utilizam prefixos como “Re:” ou “FW:” no assunto, simulando uma continuidade de diálogos anteriores.
Outro ponto que chama atenção é o uso de um sobrenome idêntico ao da vítima tanto no nome do remetente quanto no tema do e-mail. A intenção é criar uma falsa sensação de proximidade familiar, manipulando a emoção do destinatário para que ele confie no conteúdo.
As mensagens costumam conter frases afetuosas e breves, como “acho que estas fotos trarão boas lembranças” ou “faz tempo que queria ter te enviado isso”. Logo abaixo, encontra-se um link que, supostamente, daria acesso às imagens, mas que na verdade serve como porta de entrada para sites mal-intencionados.
Táticas efêmeras de ataque O phishing consiste em uma fraude na qual criminosos se passam por fontes confiáveis para roubar senhas, informações bancárias ou instalar vírus. Segundo Fabio Marenghi, especialista em segurança da Kaspersky, essa ofensiva específica faz parte de uma campanha global iniciada em julho.

Golpe utiliza sobrenome do destinatário para criar um gatilho emocional e atrair novas vítimas (Imagem: Reprodução/Reddit)
Análises da Fortinet indicam que os links utilizados possuem uma estrutura temporária. Há registros de endereços que foram criados no mesmo dia do envio e desativados apenas seis dias depois. Essa tática de “links descartáveis” é adotada pelos golpistas justamente para escapar dos mecanismos de detecção das ferramentas de cibersegurança.
Embora o destino final do link varie, especialistas apontam que golpes de “falso suporte técnico” são comuns: o usuário é levado a uma página com avisos falsos de erro e um número de telefone para que entre em contato com os criminosos.
“Ao interagir com o link, os riscos principais são dois: ser redirecionado a uma página fake feita para capturar credenciais de acesso ou sofrer o download automático de um malware. Esse software malicioso pode monitorar suas atividades, subtrair arquivos sigilosos ou conceder aos atacantes o controle remoto do seu equipamento”, esclarece Marenghi.

Domínio utilizado em campanha de phishing é apontado com um grau de alto risco (Imagem: Captura de tela/Canaltech)
O uso de dados vazados Para tornar o golpe mais convincente, os criminosos utilizam bases de dados vazadas para associar o e-mail da vítima ao seu nome completo. Dessa forma, eles personalizam o ataque usando o sobrenome do alvo para gerar credibilidade.
Em situações monitoradas, foi notado até o uso indevido de e-mails de instituições educacionais para realizar os disparos. O objetivo é fazer com que a mensagem pareça legítima e inofensiva. Suspeita-se que os atacantes tenham invadido contas legítimas ou realizado técnicas de falsificação de remetente (spoofing).
Dicas para se proteger Especialistas recomendam total cautela com e-mails não solicitados que tentem estabelecer uma intimidade repentina ou criem uma sensação de urgência.
- Não abra anexos nem clique em links suspeitos: Se receber algo inesperado, desconfie, mesmo que a mensagem traga seu sobrenome ou simule respostas anteriores.
- Verifique o destino: Antes de clicar, posicione o cursor do mouse sobre o link para visualizar o endereço real da URL. Se parecer suspeito, abreviado ou estranho, evite o acesso.
- Cheque o remetente: Não confie apenas no nome que aparece na tela; verifique o endereço de e-mail completo para garantir que não se trata de uma conta comprometida ou um domínio falso.
- Reforce a segurança: Ative a autenticação de dois fatores (2FA) em todas as suas contas, utilize senhas complexas e distintas, mantenha seus sistemas atualizados e utilize um software antivírus de confiança.

Pesquisador recomenda desconfiar de mensagens de desconhecidos com senso de urgência (Imagem: FlyD/Unsplash)





