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Estudo aponta danos cerebrais causados pelo uso compulsivo da internet

Novas pesquisas científicas detalham como o uso compulsivo e problemático da internet afeta tanto o comportamento quanto a estrutura do cérebro humano. Os estudos mostram que o problema vai muito além de passar muitas horas conectado, envolvendo alterações neurológicas profundas e sérios prejuízos para a saúde mental e o cotidiano.

Estresse, humor e o ciclo do comportamento compulsivo

Um estudo realizado pela Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, e publicado na revista PLOS One acompanhou cerca de 900 adultos usuários de redes sociais, jogos, compras online e pornografia durante 14 dias. A pesquisa revelou que o uso compulsivo está diretamente associado a níveis elevados de estresse, piora no humor e ao abandono de atividades essenciais, como exercícios físicos e interações sociais.

Estudo associa uso compulsivo da internet a mais estresse, piora do humor e abandono de atividades importantes da rotina. (Panos Sakalakis/Unsplash)

O levantamento apontou que a tentação momentânea de acessar a rede é o principal motor do comportamento repetitivo, superando até mesmo o estado emocional do indivíduo. Segundo os pesquisadores, o ciclo vicioso é sustentado por dois fatores:

  • Busca por prazer: A satisfação imediata gerada pelo acesso.
  • Alívio de sentimentos negativos: O uso da internet como ferramenta de fuga para escapar do desconforto emocional.

Os autores destacam que o tempo total de tela não define, isoladamente, a dependência. O fator determinante que diferencia o uso saudável do patológico é a intensidade da tentação e o grau em que o comportamento passa a substituir compromissos importantes da rotina.

Alterações na química e na comunicação cerebral em jovens

Complementando os riscos do problema, uma revisão de dados publicada na revista PLOS Mental Health — conduzida por pesquisadores do University College London (UCL) com adolescentes entre 10 e 19 anos — demonstrou que o vício em internet altera a forma como diferentes regiões do cérebro se comunicam.

Entre os principais achados neurológicos estão:

  • Aumento da atividade: Maior agitação em certas áreas cerebrais durante o repouso.
  • Redução da conectividade: Queda na comunicação em redes neurais ligadas ao controle executivo, à tomada de decisões e à memória, o que gera impactos na capacidade intelectual e na coordenação física.

Adolescentes com vício em internet apresentaram alterações cerebrais relacionadas a controle de impulsos, memória e tomada de decisões, segundo estudo. (Reprodução/Freepik)

Os cientistas alertam que a adolescência é um período de alta vulnerabilidade, visto que o cérebro ainda está em desenvolvimento. Comportamentos como desejos incontroláveis de usar dispositivos, mentir sobre o tempo online e o consumo excessivo de mídia refletem-se em dificuldades de controle de impulsos, problemas de relacionamento, além de distúrbios de sono e alimentação.

Prevenção e tratamento

Diante do avanço dos impactos do uso problemático da internet, especialistas ressaltam que compreender as regiões cerebrais afetadas é fundamental para o desenvolvimento de abordagens clínicas mais assertivas, como psicoterapias e terapia familiar. Além disso, capacitar os pais para reconhecerem os primeiros sinais de alerta e orientarem o controle do tempo de tela na juventude é apontado como uma medida preventiva essencial para evitar danos de longo prazo.

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