O mercado de hardware gamer enfrenta novas pressões inflacionárias. Seguindo os passos da concorrente NVIDIA, a AMD planeja elevar os preços de suas placas de vídeo a partir de agosto de 2026. Conforme informações divulgadas pelo ChannelGate, a fabricante notificou suas parceiras sobre um reajuste de pelo menos 10% nos pacotes que englobam o chip gráfico (GPU) e os módulos de memória.
A alteração tarifária estava inicialmente cotada para entrar em vigor em julho, mas acabou adiada devido à demanda enfraquecida no período, à presença de estoques antigos no mercado e ao receio de uma reação negativa dos consumidores diante de componentes cada vez mais caros.
O impacto nos kits de GPU e nas parceiras (AIBs)
O encarecimento afetará diretamente os chamados kits de componentes fornecidos para as fabricantes parceiras de placas — conhecidas como AIBs —, a exemplo de marcas como ASUS, Sapphire e XFX. Essas empresas compram os pacotes da AMD para desenvolver os modelos finais de placas de vídeo, o que inclui a elaboração de:
- Sistemas de refrigeração customizados.
- Circuitos de alimentação elétrica (VRM).
- O design geral e o acabamento do produto.
O reajuste significa placas 10% mais caras no varejo?
Apesar do índice de 10% aplicado aos componentes básicos, especialistas apontam que isso não significa que todas as placas Radeon encarecerão exatamente nessa mesma proporção para o consumidor final. O kit fornecido pela AMD compõe apenas uma parcela do custo total de fabricação; cabendo a cada marca parceira decidir se absorve parte do reajuste ou se o repassa integralmente às prateleiras.
Além disso, os efeitos não serão imediatos. O estoque atual armazenado por distribuidoras foi adquirido com base nos valores antigos. O impacto real nos preços ao consumidor deverá ser sentido de forma gradativa, à medida que os novos lotes começarem a chegar às lojas físicas e virtuais.
Modelos da nova série Radeon RX 9000 — como a RX 9070 XT, a RX 9070 e a RX 9060 XT — estão entre as principais candidatas a sofrer os reflexos da medida, uma vez que utilizam memória GDDR6, um dos componentes mais pressionados pela escassez atual.
A crise global no mercado de memórias
A raiz do problema reside na disparada global nos preços das memórias. O avanço acelerado da inteligência artificial e a alta demanda por servidores fizeram com que as fabricantes priorizassem a produção de componentes como HBM e DRAM voltados para data centers. Como consequência, houve uma redução na capacidade de fabricação dedicada a memórias comuns para computadores e placas de vídeo.

Dados da consultoria TrendForce indicam que os contratos de memória DRAM convencional dispararam entre 58% e 63% apenas no segundo trimestre de 2026.
Enquanto isso, a NVIDIA lida com um panorama semelhante: na China, tabelas de distribuição recentes apontam aumentos que variam de 8% a 20% em diferentes modelos da linha GeForce RTX 50, com alguns exemplares sendo comercializados bem acima do valor sugerido de fábrica.
Até o momento, a AMD não se pronunciou oficialmente para confirmar o reajuste ou detalhar quais regiões serão atingidas. Caso a medida seja concretizada nos próximos lotes, a tendência é que a montagem e a atualização de PCs gamers fiquem consideravelmente mais custosas no segundo semestre de 2026.





