Um docente de história da Universidade Alcorn State, situada nos Estados Unidos, adotou uma estratégia engenhosa para expor discentes que recorreram a inteligências artificiais sem sequer ler o material gerado em um exame. Ao colocar um comando oculto na questão, Jason Gibson conseguiu flagrar 32 dos 35 matriculados que simplesmente repassaram o texto para um chatbot.
A entrega consistia em uma redação digital acerca da Revolução Industrial. Como resultado da cópia cega, as respostas traziam termos sem nexo, demonstrando que os autores não haviam revisado o que foi redigido antes de finalizar o envio.
O segredo estava em uma diretriz camuflada bem no centro do enunciado, escrita na cor branca sobre fundo branco, tornando-se imperceptível à leitura visual convencional. Contudo, ao transferirem a proposta inteira para plataformas como ChatGPT, Claude ou Gemini, os estudantes acabavam acionando o comando clandestino junto com a pergunta.

Professor adicionou um comando invisível no enunciado da prova e identificou alunos que copiaram a questão para chatbots de IA sem revisar as respostas geradas. (Vitaly Gariev/Unsplash)
A ordem oculta forçava a IA a injetar menções absurdas sobre Madagascar no meio do texto acadêmico, gerando sentenças como “Madagascar flutua de lado durante a tarde” e “Madagascar foi a um jogo de basquete usando uma torradeira”.
Devido à fraude, os 32 envolvidos perderam os pontos da atividade. O educador expôs o ocorrido publicamente por meio de gravações no TikTok, relatando que somente dois deles tentaram questionar a punição diante das provas irrefutáveis.
O episódio reflete um desafio recorrente nas instituições de ensino desde a disseminação dos chatbots, com acadêmicos utilizando ferramentas automatizadas para burlar avaliações. Para combater a prática, docentes têm resgatado métodos tradicionais — como avaliações presenciais, manuscritas ou orais —, além de recorrerem à própria tecnologia para formular questões mais complexas.
Entenda a injeção de prompt
O método aplicado por Gibson apoia-se em um conceito de segurança chamado injeção de prompt, que consiste em inserir comandos capazes de alterar o comportamento de uma IA, fazendo-a executar tarefas alheias à solicitação inicial.
Essa técnica divide-se em duas categorias:
- Injeção direta: quando a pessoa interage diretamente com o chatbot tentando burlar diretrizes ou alterar o formato de saída.
- Injeção indireta: cenário da prova, onde as diretrizes maliciosas ou ocultas ficam embutidas em páginas web, arquivos ou documentos que a inteligência artificial processará.
Embora seja um tema comum em cibersegurança pelo potencial de manipulação de modelos, o professor utilizou o recurso de forma criativa como uma ferramenta pedagógica para detectar cópias automáticas e sem revisão.





