A fabricante japonesa Canon sinalizou que o cenário de escassez global de memória — impulsionado pelo avanço vertiginoso da inteligência artificial — poderá impactar diretamente o consumidor final. Mesmo celebrando marcas históricas nas vendas de equipamentos fotográficos em 2026, a companhia não descartou a necessidade de reajustar seus valores caso a alta nos insumos persista.
Conforme apontado no balanço financeiro divulgado na última segunda-feira (27), a previsão de impacto financeiro relacionada à crise de componentes sofreu um acréscimo de 6 bilhões de ienes na comparação com a estimativa anterior.
Dessa forma, a marca projeta um risco potencial de 69,4 bilhões de ienes (o equivalente a cerca de US$ 424 milhões) em decorrência do encarecimento dessas peças ao longo deste ano.
O boom da tecnologia de IA gerou uma corrida por semicondutores e chips de armazenamento voltados para grandes servidores. Esse descompasso provocou uma escalada nos preços de memórias, encarecendo desde cartões utilizados pelos usuários até elementos fundamentais para a montagem de novos dispositivos ópticos.
Possibilidade de repasse ao consumidor
Até o momento, a organização conseguiu blindar o mercado final absorvendo grande parte dessas despesas extras, auxiliada por um alívio tarifário de aproximadamente 37,5 bilhões de ienes (cerca de US$ 230 milhões) decorrente de ajustes tributários norte-americanos.
Adicionalmente, a montadora japonesa havia se prevenido ao acumular reservas de componentes antes da disparada dos valores, o que evitou reflexos imediatos na linha de montagem. Contudo, a diretoria alerta que o cenário pode se tornar insustentável.
“Como se espera que os preços das memórias levem algum tempo para se normalizar, acompanharemos de perto as tendências futuras e busques mitigar o impacto negativo o máximo possível por meio de aumentos de preços e reduções adicionais de custos”, pontuou a companhia em nota oficial ao mercado.
Mercado de câmeras profissionais está perto de ser afetado pela crise da IA (Reprodução/Digital Camera World)
Essa postura deixa evidente que a alta nos valores das câmeras é uma alternativa cada vez mais provável caso os insumos continuem caros.
O desafio não é exclusivo da Canon. Outras gigantes do setor adotam cautela semelhante: a Nikon já comunicou que estuda transferir parte da alta de custos para o público caso o mercado de peças siga instável, enquanto a Fujifilm também admitiu recorrer a reajustes e estratégias de eficiência para neutralizar o encarecimento produtivo.
Por ora, o bom momento comercial, aliado aos estoques prévios e às restituições de tarifas, garante respiro financeiro à Canon. Contudo, se a pressão da inteligência artificial sobre a cadeia de suprimentos continuar, o consumidor precisará se preparar para pagar mais caro por novas câmeras fotográficas em breve.