A menção à poluição dos automóveis geralmente traz à mente a cena de um utilitário a diesel expelindo fumaça escura. Contudo, o cenário automotivo atual no país contradiz essa percepção. De acordo com as estatísticas do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), gerenciado pelo Inmetro e compilado pelo portal Auto Papo, os veículos que lideram as taxas de poluição no território nacional pertencem à categoria dos populares com tecnologia flex, desbancando os comerciais leves a diesel.
A análise foi baseada em três substâncias específicas: gases orgânicos não metano (NMOG), óxidos de nitrogênio (NOx) e monóxido de carbono (CO). A classificação final resultou do somatório dessas taxas, priorizando sempre a configuração de maior impacto ecológico de cada automóvel. Os modelos movidos exclusivamente a eletricidade foram descartados da lista, visto que possuem emissão zero no escapamento. A grande surpresa do levantamento foi constatar que os blocos flex geram volumes expressivos de CO, principalmente em acelerações bruscas e na fase de aquecimento inicial do motor.
Mecânicos costumam brincar que certos propulsores não quebram, mas o fato técnico é que os sistemas a diesel operam com excesso de ar (mistura pobre), uma característica que naturalmente inibe a geração de CO. Por outro lado, os motores a gasolina e flex trabalham no limite da proporção ideal entre ar e combustível (mistura estequiométrica); sob certas demandas, eles funcionam com falta de oxigênio, gerando uma queima parcial e elevando o monóxido de carbono. É por essa razão que as caminhonetes a diesel registram índices baixos de CO, embora tenham maior participação na liberação de NOx e fuligem (material particulado).

Picapes ficaram fora do ranking com os 15 carros mais poluentes do Brasil (Imagem: Ryan De Hamer/Unsplash/CC)
As consequências ambientais e de saúde
Ainda que todos os modelos citados cumpram as exigências vigentes das normas Proconve L7 e L8, o volume de poluentes acende um alerta. Invisível e sem cheiro, o monóxido de carbono prejudica o transporte de oxigênio no organismo humano, com potencial fatal em locais sem ventilação. Já o NMOG e o NOx reagem na atmosfera para formar o ozônio ao nível do solo, causador de disfunções pulmonares e prejuízos à flora. Desse modo, mesmo circulando em conformidade com a legislação, os automóveis com piores índices exercem um impacto negativo na saúde coletiva e no ecossistema urbano.
É fundamental frisar que este levantamento ignora as taxas de CO₂, o grande vilão do efeito estufa e das mudanças climáticas globais, que obedece a outra métrica de avaliação. A prioridade deste estudo é avaliar estritamente a pureza do ar nos centros urbanos, que sofre influência direta das substâncias liberadas pelos escapamentos locais.
Relação dos 15 modelos com maiores índices de poluição no país
- Chevrolet Spin 1.8
- Renault Logan
- Fiat Cronos 1.0
- Volkswagen Voyage 1.0
- Chevrolet Onix Plus 1.0
- Renault Sandero 1.0
- Fiat Argo 1.0
- Volkswagen Polo 1.0
- Chevrolet Onix 1.0
- Hyundai HB20S 1.0
- Hyundai HB20 1.0
- Toyota Yaris Sedan 1.5
- Toyota Yaris Hatch 1.5
- Nissan Versa 1.6
- Nissan Kicks 1.6





