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Com foco no mercado nacional, empresa solicita aval da Anatel para criar “Starlink brasileira”

FOTO: GEMINI

A AST SpaceMobile avançou em sua estratégia no mercado brasileiro com o objetivo de fornecer uma rede de internet via satélite nos moldes da Starlink. A companhia formalizou uma solicitação junto à Anatel para o cadastramento de uma frota de satélites de órbita baixa (não geoestacionária), movimento que visa consolidar e expandir suas operações em solo nacional.

O requerimento encaminhado à agência reguladora brasileira é uma etapa obrigatória para que a infraestrutura da operadora seja devidamente registrada na União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Se a Anatel der sinal verde ao processo, o governo brasileiro ficará responsável por intermediar o envio da documentação à entidade global, que gerencia a distribuição de frequências de rádio e a ocupação de órbitas no espaço.

A proposta prevê a implementação de centenas de artefatos espaciais voltados para o sistema direct-to-device (D2D). Trata-se de uma inovação que viabiliza o tráfego de dados diretamente para telefones celulares comuns, eliminando a necessidade de receptores fixos no solo em cenários específicos.

Brasil pode expandir protagonismo na arena aeroespacial

A movimentação da AST acontece com a concorrência crescente com a Starlink no mercado (Imagem: Divulgação/SpaceX)

Apesar de a AST ser uma corporação sediada nos Estados Unidos, a escolha do Brasil para realizar o registro internacional pode gerar benefícios geopolíticos. O país que lidera essa tramitação ganha precedência na coordenação das frequências e órbitas desse ecossistema, contanto que respeite os termos e cronogramas estipulados pelos órgãos mundiais.

Soberania digital e contrapartidas locais A agência brasileira também ganha margem para impor condições operacionais à empresa estrangeira. Isso inclui a exigência de investimentos em redes locais, metas de conectividade para áreas isoladas e o cumprimento de regras setoriais rígidas — medidas vistas como fundamentais para impulsionar a segurança e a soberania tecnológica do país.

Disputa acirrada e embate com a concorrência

A iniciativa da AST ganha força no momento em que a rivalidade com a Starlink se intensifica no setor de telecomunicações por satélite. A companhia busca ampliar suas licenças de funcionamento globais, especialmente por enfrentar barreiras regulatórias complexas dentro do território norte-americano.

Em solo brasileiro, a operadora já detém o direito de explorar comercialmente uma fatia da banda S para comunicações espaciais. Essa concessão chegou a ser contestada formalmente pela Starlink, que exigiu a interrupção imediata da outorga.

Contudo, a presidência da Anatel negou o pedido de suspensão, preservando os direitos da AST até que o Conselho Diretor da agência julgue o recurso em definitivo.

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