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John Romero discorda de ex-colega sobre impacto da pirataria em Doom: “História não é bem assim”

FOTO: DIVULGAÇÃO/ID SOFTWARE

A disseminação ilegal de jogos eletrônicos ganhou muita força na década de 1990, atingindo tanto plataformas de mesa, a exemplo do PlayStation original, quanto os computadores. Diversos profissionais associam essa conduta à falência de produtoras daquele período. É o caso de Sandy Petersen, um designer experiente com passagem pela produção de Doom. Contudo, John Romero contesta essa visão, argumentando que a realidade era outra devido ao formato comercial adotado na época, conhecido como Shareware.

Por meio da rede social X, Petersen expressou sua revolta contra os piratas, afirmando que algo entre 70% e 90% da base de jogadores de Doom utilizava cópias não autorizadas. Segundo ele, esse cenário impediu que os desenvolvedores tivessem um ambiente de trabalho mais favorável e causou o encerramento de várias companhias e marcas de hardware da era, incluindo Atari, Amiga e 3D Realms.

A contra-argumentação de John Romero

Contrariando a perspectiva do antigo parceiro de estúdio, Romero esclareceu que a questão da pirataria em Doom é peculiar justamente por causa da distribuição em shareware. Ele ressaltou que a parte inicial do game foi projetada especificamente para ser distribuída sem custos, copiada e transmitida livremente entre as pessoas. Para ele, essa gigantesca base de usuários que não investiu dinheiro na versão inicial não operava na ilegalidade, mas sim conforme a estratégia planejada de divulgação do jogo.

Romero detalhou que, no meio daquela década, o título acumulava em torno de 20 milhões de instalações gratuitas via shareware e havia superado a marca de 2 milhões de unidades comerciais comercializadas. Ele reforçou que esse contingente de 20 milhões não agia de má-fé, pois a maioria estava apenas consumindo a demonstração gratuita conforme o previsto pelos criadores.

Embora Romero defenda a relevância de adquirir os produtos legalmente para incentivar a indústria, ele salienta que o colapso das empresas não pode ser resumido à ação dos piratas. Em sua visão, a própria distribuição sem custos, que muitos enxergavam como prejuízo financeiro, funcionou como o combustível que transformou o jogo em um fenômeno global impossível de ser ignorado.

O método de comercialização por shareware era uma prática corriqueira no início dos anos 1990. Entretanto, como esse sistema ficava muito restrito ao território norte-americano e a internet ainda era inacessível para a maior parte do planeta, obter a edição integral de Doom era uma tarefa bastante difícil para o público geral.

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