Nesta sexta-feira (5), a NASA orientou os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) a se abrigarem na espaçonave Crew Dragon Freedom, da SpaceX. A medida de segurança foi tomada após a detecção de vazamentos de ar no segmento russo do complexo orbital, preparando a tripulação para uma eventual evacuação de emergência.
A ação preventiva ocorreu enquanto os cosmonautas russos trabalhavam nos reparos do PrK — um túnel de transferência ligado ao módulo Zvezda. Essa região já apresenta pequenas fissuras e perda de pressão há anos, sendo monitorada de perto pelas agências espaciais.
Medida preventiva e abrigo na Crew Dragon
Segundo a porta-voz da NASA, Bethany Stevens, cinco dos sete tripulantes foram movidos para a cápsula para garantir uma saída rápida caso os reparos agravassem a despressurização. Os astronautas Jessica Meir, Jack Hathaway e Chris Williams (NASA), Sophie Adenot (ESA) e Andrey Fedyaev (Roscosmos) vestiram seus trajes e ficaram prontos para o desacoplamento.
As naves Dragon funcionam como “botes salva-vidas” na ISS, prontas para retornar à Terra em emergências. Enquanto o grupo aguardava na cápsula, os cosmonautas Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev ficaram no setor russo executando os reparos e avaliando os danos.
A NASA reforçou que não houve ordem de abandono real, mas sim uma precaução em uma operação sensível. Se a evacuação fosse necessária, o plano previa:
- Crew Dragon Freedom: Retorno de Meir, Hathaway, Adenot e Fedyaev com pouso no oceano (EUA).
- Soyuz MS-28: Retorno de Kud-Sverchkov, Mikaev e Williams com pouso no Cazaquistão.
Origem do problema e status dos reparos
As fissuras no módulo administrado pela Roscosmos são antigas, mas o sinal de alerta acendeu após a chegada de uma nave de carga no mês passado, quando técnicos notaram uma nova queda na pressão do túnel. Isso motivou uma manutenção mais robusta.
Por volta do meio-dia (horário de Brasília), a Roscosmos suspendeu os trabalhos para analisar os dados coletados. Com a pausa, os astronautas na Dragon foram autorizados a voltar às atividades normais. De acordo com as agências russas Tass e Interfax, dois vazamentos foram mapeados: um foi corrigido e o outro segue em avaliação. A Roscosmos assegurou que a tripulação e a integridade da ISS não estiveram em risco.
O legado da Estação Espacial Internacional
Em atividade há cerca de 25 anos, a ISS é o maior símbolo de cooperação científica global, unindo módulos dos EUA, Rússia, Europa e Japão em uma estrutura do tamanho de um campo de futebol.
- Altitude: Cerca de 400 km da Terra.
- Velocidade: 28 mil km/h (uma volta completa no planeta a cada 90 minutos).
Além de pesquisas em microgravidade, a estação serve de laboratório para estudar os impactos de missões de longa duração no corpo humano, gerando dados essenciais para os futuros voos rumo à Lua e a Marte.





